As festas que celebram o ano novo ganham proporções mais profundas quando se leva em conta personagens que vêem 2006 com perspectivas de mudança. Adolescentes apreendidos em Unidades Oficiais de Internamento Provisórias (Usoils), por exemplo. Para os jovens do Educandário, o 1º de janeiro de 2006 foi o primeiro ano novo comemorado com a família, mesmo que longe de casa.
''Enfrentamos uma certa tensão. Sabemos como qualquer preso fica quando o período de festas de aproxima'', diz Ricardo Perez, coordenador dos educadores, em referência às inúmeras rebeliões nos Distritos de Londrina nos últimos meses de 2005. ''Mas sabíamos o quanto estávamos preparados. Passamos por treinamentos normais, necessários, e não emergenciais'', completa Laura Okamura, diretora da Unidade.
A direção do Educandário passou o último semestre planejando as festas de final de ano para os 40 internos. A antecipação permitiu a eles receber familiares, vindos de todo o Estado. José (nome fictício) foi um dos beneficiados. O garoto de 18 anos, internado há cinco meses, passou o primeiro réveillon longe de casa. ''É a primeira vez que penso no ano novo como uma oportunidade de mudar a minha vida. Quero voltar a estudar'', conta. ''Também estou aprendendo a dar valor à minha família. Meus pais vieram me ver, trouxeram frutas para que a gente fizesse as sobremesas para a ceia''.
O planejamento também previu visitas dos assistentes sociais às famílias e comunidades dos jovens internados, permitindo a desinternação de 20 adolescentes. ''Isso permitiu a eles passar o ano novo em casa'', conta Laura. O resultado foi um final de ano ''tranquilo'', como descreveram os próprios adolescentes. ''Minha mãe não pôde me visitar. Senti muito a falta dela. Mas ainda assim foi um dos melhores finais de ano que tive até hoje'', conta Henrique, de 18 anos. ''Tivemos festa, passei o feriado com os parceiros''.

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