Novos professores contratados por concurso, substituição de equipes pedagógicas, retorno do ensino profissionalizante e reajustes salariais quase certos. As aulas na rede estadual de ensino tiveram início ontem, em clima de novidades. Nos 16 munícipios atendidos pelo Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, 105.030 alunos voltaram às salas de aula. Só em Londrina, são 75.382 estudantes matriculados em escolas estaduais.
Deixadas para a última hora, algumas mudanças estão prejudicando os trabalhos letivos. A distribuição de aulas antes feita pelas escolas e, neste ano, centralizada no NRE ainda não havia sido concluída, na manhã de ontem. Resultado: faltam professores. No maior colégio estadual de Londrina, o Vicente Rijo (Área Central), os alunos foram dispensados mais cedo devido à falta de docentes. ''Nos próximos dias, enquanto não houver professores em certas disciplinas, os alunos ficarão no pátio, pois não temos condições de atendê-los em sala de aula'', afirmou a diretora-auxiliar Cleize Mari Horn.
Em muitas escolas, o desfalque é ainda mais sério no caso das equipes técnico-pedagógicas. Em reportagem publicada no último sábado, a Folha mostrou que a Associação dos Gestores de Escolas Públicas (Agep) do NRE-Londrina pediu ao Estado o adiamento do início das aulas, em razão da falta de coordenadores e supervisores. A solicitação não foi aceita e, agora, os problemas já começam a aparecer.
''É minha primeira gestão como diretor e estou sobrecarregado, no maior corre-corre. A um mesmo tempo, tenho que cuidar de pautas e horários, vigiar os alunos no pátio, e ainda supervisionar obras'', enumerou Kléber de Marchi, diretor do Colégio Estadual Benedita Rosa Rezende, no Jardim Guararapes (Zona Leste). Por determinação do governo estadual, coordenadores e supervisores sem formação superior em Pedagogia tiveram que deixar os cargos.
Segundo o chefe do NRE, Rony dos Santos Alves, o Processo Seletivo Simplificado (PSS) para contratação de pedagogos seria aberto no início da tarde de ontem, no Colégio Estadual Gabriel Martins. A previsão é de que as escolas recebam os novos profissionais até a próxima semana. Já a falta de professores deve ser solucionada dentro de uma ou duas semanas, de acordo com o chefe do NRE.
O ano letivo de 2004 também marca o retorno dos cursos de Ensino Médio profissionalizante. A professora de Filosofia e Psicologia Ieda Godinho da Costa, que trabalha há oito anos no colégio Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL), na Vila Brasil (Região Central), agora voltará a lecionar no Magistério. ''O retorno desses cursos é válido porque existe muita demanda na educação infantil'', assinalou. Questionada se a oferta de reajuste salarial do Estado animou os professores para a volta às aulas, Ieda resumiu: ''Abriu uma esperança''.

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