Ano começa com muito trabalho
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de janeiro de 2014
Micaela Orikasa e Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina A forte chuva acompanhada de raios e trovões, que caiu na virada do ano em Londrina, causou muitos problemas. Milhares de domicílios ficaram sem energia elétrica, uma ponte sobre o Ribeirão Lindóia foi interditada, parte do muro do Cemitério Jardim da Saudade caiu e pelo menos quatro unidades básicas de saúde (UBS) foram afetadas .
Durante a manhã de ontem as UBS dos bairros San Izidro (zona leste), Ruy Virmond Carnascialli e Milton Gavetti (zona norte) permaneceram fechadas e a do Armindo Guazzi (também na leste) realizou apenas o atendimento básico.
Em todas as unidades houve alagamento e infiltração de água pelas paredes. "Nós ainda não fizemos o levantamento dos prejuízos, pois estamos dando prioridade para o restabelecimento do atendimento", explicou o secretário municipal de Saúde, Mohamed El Kadri, informando que à tarde elas voltaram a funcionar. Cada UBS atende cerca de 200 pacientes por dia.
A reportagem constatou que o atendimento acontecia de forma precária em pelo menos uma delas. Na UBS Milton Gavetti, a dona de casa Alessandra Mendes Moreira, de 32 anos, apresentava alguns sintomas de hipertensão arterial, mas não conseguiu comprovar, porque os aparelhos para aferir a pressão estavam molhados. "Vou procurar uma farmácia para fazer essa medição."
A enfermeira e coordenadora da unidade, Fabiana Suzuki, relatou que a UBS ficou toda alagada e os servidores se mobilizaram para limpar. Mesmo depois de enxugar tudo, as goteiras insistiam em verter pela laje para dentro dos consultórios. "Eu já havia solicitado o conserto. Em fevereiro já havíamos sofrido um alagamento, em setembro houve mais chuva que provocaram danos e na semana passada também houve um alagamento menor", reclamou.
Todas as vacinas armazenadas foram perdidas devido à falta de luz e os medicamentos foram salvos porque estavam protegidos por uma lona plástica.
Risco
A ponte que liga a Chácara Três Bocas e o Jardim da Urca, no prolongamento da Avenida das Maritacas (zona Leste), está interditada desde a madrugada de quarta-feira pela Defesa Civil, devido uma cratera que se abriu com a chuva.
Aparecido Agnelo da Silva, que mora ao lado da ponte, afirma que o local é a travessia diária de centenas de famílias e trabalhadores. "A outra opção de acesso é pela Avenida Brasília, mas dá uma longa caminhada", diz o pedreiro, ressaltando que essa não é a primeira vez. "Há uns dois anos, a chuva abriu um buraco deste tamanho. Demorou para ser arrumado, mas, na minha opinião, não foi bem feito. Olha só o que aconteceu de novo", aponta.
A ponte fica a uma altura de aproximadamente 4 metros, mas muitos moradores não se intimidam e se arriscam ao atravessar sobre uma viga de concreto.
A secretária interina de Obras, Celina Ota, informou que o conserto começou ontem à tarde, mas como o solo ainda está instável devido à chuva, o serviço ainda deve demorar para ser concluído.
No cemitério Jardim da Saudade, na zona norte, parte do muro desabou e ontem de manhã funcionários da secretaria de Obras retiravam os entulhos e a terra, que escorreram pelo asfalto na Avenida das Torres. A superintendente da Acesf, Sônia Gimenez, informou que o cemitério precisa adequar primeiramente a parte interna do cemitério, com a construção de calçadas, bueiros e galerias pluviais para que posteriormente seja realizada a reconstrução do muro. "O muro também precisa ser reforçado e estar de acordo com o volume de água que passa por ali", destacou.
Invasão
Entre a noite do dia 31 até a madrugada do dia 1º de janeiro, o Corpo de Bombeiros de Londrina registrou 36 ocorrências de alagamento. Um deles foi na residência de Juliana Aparecida Ortiz, de 20 anos, no Conjunto Novo Amparo (leste).
Localizada próximo ao Ecoponto da região, a casa foi invadida por restos de entulhos, pedaços de madeira, lixo e muita lama. A família perdeu cama, roupas e alimentos. "Sempre quando chove temos problemas. Nossa ceia foi ajudando a Juliana retirar terra da casa para não piorar a situação", comenta a vizinha Viviane Miranda.
A poucos metros dali, Lourival de Souza fazia a faxina em casa. Nas últimas horas de 2013, ele viu a água invadir os cômodos até a altura do joelho. "Perdemos um guarda-roupa novo que ia ser montado, além das minhas ferramentas. Estou esperando elas secarem para ver se estão funcionando", conta ele, que trabalha com serviços gerais.
Luz e água
A poucas horas da chegada de 2014, quase 10 mil domicílios ficaram sem energia elétrica, principalmente na zona leste, mas o serviço foi restabelecido ainda na madrugada.
Deslizamentos de terra deixaram a rede de água vulnerável. Segundo a assessoria de comunicação da Sanepar, o poço Maria Cecília, que leva água para o Reservatório Semíramis, está parado desde a noite do dia 31 de dezembro devido a uma inundação na unidade. Mas não houve prejuízo ao abastecimento na região.
De acordo com Samuel Braun, meteorologista do Instituto Tecnológico Simepar, O tempo segue instável até o final de semana, com muita umidade e tempo abafado.


