Aniversário do Hospital Zona Norte: comemoração não esconde dificuldades
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segunda-feira, 17 de março de 2003
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
O Hospital da Zona Norte completa hoje quinze anos. A data será celebrada simbolicamente com um bolo, que será servido aos funcionários na hora do lanche. A comemoração, entretanto, não esconde as dificuldades que o hospital enfrenta. Há oito anos a instituição, mantida pelo governo do Estado, não reajusta os salários de seus empregados e não realiza concurso público.
''O quadro de plantonistas é um problema, é verdade. Temos oito plantonistas para pediatria e quinze para clínica médica. Alguns são residentes do Hospital Universitário (HU) e quebram um galho. Precisamos de mais efetivo próprio'', diz Alfio Martelitti, diretor clínico do Zona Norte.
Uma funcionária que trabalha no local há 14 anos diz que a defasagem salarial passa dos 70%. ''Não temos mais auxílio-creche nem auxílio-alimentação. Antes, nosso salário chegava a três salários mínimos. Hoje, com horas-extras, ganho pouco mais de R$ 300'', diz a funcionária, que não quis se identificar. ''Tenho quatro filhos e não posso colocar aparelho num deles por falta de dinheiro. Estou com problemas de saúde e os remédios são caros'', reclama.
A presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Londrina (Sinsaúde), Ana Maria da Cruz, explica que a falta de reposição de pessoal está fazendo com que o hospital dependa demais da parceria com o Convênio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), associação financiada por prefeituras da região que mantém um quadro de funcionários no ambulatório da 17 Regional de Saúde. ''Em áreas como laboratório e enfermagem, os funcionários do Cismepar chegam a representar 90% do quadro do Zona Norte'', afirma ela.
Ela aponta outros problemas como sucateamento e falta de material. A diretora geral do Zona Norte, Denise Sardinha, admite alguns problemas, mas se mostra otimista. ''Tivemos grandes avanços e hoje somos referência para toda a cidade. Acho que as vitórias foram maiores que os problemas nestes quinze anos'', afirma.
Os pacientes dão seus parabéns ao hospital, mas também fazem suas ressalvas. ''O atendimento é ótimo, mas a espera é muito grande. Uma vez, trouxe minha sobrinha aqui e tive que esperar sete horas para ser atendida. Infelizmente, toda vez em que venho aqui tenho que aguardar muito'', diz a dona de casa Marlene Dias, que ontem estava no Zona Norte com seu filho de onze anos, que tinha machucado o joelho direito na escola.


