Anistia diz que polícia se precipitou
‘‘A Polícia queria
dar uma resposta
rápida à sociedade,
justa ou não’’
James Alberti
O diretor da Anistia Internacional em Curitiba, Paulo Pedron, e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Edgard Luiz Cavalcanti de Albuquerque, disseram ontem que o menor M.A.S. e Léo Henrique Dias, os primeiros acusados pelo assassinato do cobrador Bernardino Alves de Melo, devem ser libertados se não estiverem respondendo por outros crimes. Os dois foram presos em menos de 24 horas depois do homicídio e negam qualquer envolvimento.
Anteontem, três jovens do bairro Novo Mundo confessaram, com detalhes, a autoria do crime. A tia de um deles, a auxiliar de enfermagem Tereza Muziol, 43 anos, teria chamado a polícia depois que o afilhado, Ricardo Luiz, teve uma crise de consciência e contou que tinha participado da morte de cobrador. O autor confesso do disparo é André Almeida Cabral. Osmar Luiz, irmão de Rodrigo, teria arrumado a arma. ‘‘Se a confissão dos três bater com a descrição do delito, os dois primeiros devem ser soltos’’, afirmou o presidente da OAB.
Um dos três acusados, André Cabral, foi reconhecido por uma testemunha ontem, afirmou o delegado do 7º Distrito Policial, Marcus Michelotto. Essa testemunha havia apontado o menor e Leo como autores do assassinato, mas reconheceu seu engano. Michelotto, que fez as prisões, disse que mandará hoje o inquérito para o Ministério Público. Um juiz decidirá, então, se retira a acusação.
Para o diretor da Anistia Internacional, houve precipitação da polícia ao acusar os dois. ‘‘Com certeza eles são bodes expiatórios’’, disse. Paulo Pedron conta que recebeu denúncia de outra prisão, considerada irregular. Segundo ele, dois jovens foram levados à garagem da empresa onde trabalhava Bernardino, mas não foram reconhecidos pelos motoristas e cobradores. Depois disso teriam sido liberados. ‘‘A prisão desses meninos demonstra que a polícia queria dar uma resposta rápida à sociedade. Se era justa ou não, não importa’’, acusou.
Mesmo que seja inocentado da acusação de homicídio, Léo pode não sair da prisão. Ele está sendo acusado de um assalto ao posto Minotovi, no bairro Boqueirão. Os funcionários do posto teriam reconhecido Leo através das fotos divulgadas pela imprensa e denunciaram o crime.
Já o delegado da Delegacia do Adolescente, Gumercindo Athayde, disse que ele próprio vai pedir a libertação do menor logo que receba as novas provas recolhidas pelo delegado do 10º Distrito Policial.

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