Um animal desconhecido, que ataca principalmente ovelhas, está criando pânico entre chacareiros da cidade de Campina Grande do Sul, 30 quilômetros de Curitiba, e intrigando os especialistas, que não conseguem explicar sua origem e nem o seu estranho comportamento. ‘‘O bicho, ou seja lá o que for’’, como diz o sargento Luiz, da Polícia Florestal da cidade, arranca com precisão cirúrgica as orelhas dos animais que mata e deixa feridas que não se parecem com a de nenhum outro predador conhecido. Em alguns casos, as orelhas foram encontradas amontoadas, nas proximidades do local do ataque, envolvidas por um muco gelatinoso, como se tivessem sido vomitadas.
A violência do bicho também é incomum. E nenhuma das ovelhas mortas foi utilizada por ele como alimento. Apesar da profundidade dos ferimentos encontrados em algumas vítimas, há uma ausência quase completa de sangue no local.
Os primeiros ataques foram registrados no final de janeiro deste ano. Mas só chamaram a atenção um mês depois, quando ocorreram por três vezes seguidas na chácara do biólogo Samuel Ramos Lago. Ele e sua esposa, Rosimara, ficaram assustados com a violência do último ataque, no final de fevereiro passado, e pediram socorro à Polícia Florestal.
As duas primeiras investidas do predador haviam sido semelhantes à outras, ocorridas em chácaras da vizinhança. A primeira ocorreu no início de fevereiro. ‘‘Apenas uma ovelha foi morta e teve as orelhas decepadas’’, conta Samuel. Menos de dez dias depois, uma nova investida deixou cinco ovelhas mortas e duas feridas. Este ataque ocorreu à luz do dia. ‘‘Tinha gente por toda parte. Inclusive quatro pedreiros que trabalhavam na reforma de uma casa, menos de 50 metros de onde as ovelhas pastavam. E ninguém ouviu nada’’, lembra o caseiro José Batista.
‘‘Apesar da estranheza das marcas, acabamos atribuindo o ataque a algum animal selvagem que pudesse existir por aqui e que não conhecíamos’’, diz Rosimara.
Mas a última investida foi um verdadeiro massacre.

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