A Polícia Florestal em Londrina não tem a estrutura adequada para capturar animais silvestres. Hoje, são dois veículos para atender 128 cidades do Norte e Noroeste do Estado. Geralmente, um deles está em manutenção. Resultado: os problemas se acumulam.
‘‘Se nós temos viatura disponível, vamos verificar a reclamação. Caso contrário, não é possível’’, lamenta o sargento Amilton Barbosa. E o número, segundo ele, é bastante alto: de oito a dez reclamações, a cada dia, somente para captura de gambás. ‘‘É direto. Mas a estrutura que nós temos é insuficiente para atender todas as cidades. O ideal seria um policiamento exclusivo para Londrina.’’
Barbosa observa que todos os animais capturados são soltos no parque Arthur Thomas (zona sul), mas muitos voltam às áreas residenciais. Em alguns casos, ele lembra, já foram presos mais de 20 gambás num só quintal.
Outro problema é causado pela própria população. A Florestal possuía oito armadilhas para prender gambás, emprestou para quem dizia ter encontrado o animal em casa e não recebeu nenhuma de volta. A armadilha, segundo o sargento, é o melhor instrumento para prender o bicho, mas também dificilmente é encontrada para comprar.
A sugestão, para a pessoa que dá de cara com o bicho no quintal de casa, é tentar prendê-lo com um saco, caixa ou mesmo corda. O animal não é considerado dócil mas dificilmente ataca alguém, no máximo exala o famoso mau cheiro. Depois é ligar ou mesmo levar até a Florestal.
Agora, se o animal não está à vista, como por exemplo em forros de casas, a dificuldade que os policiais vão ter em capturar o gambá é a mesma de qualquer pessoa. O sargento Barbosa observa que geralmente eles só aparecem nesses locais à noite; durante o dia saem para buscar alimentos.
Uma coisa é certa em relação ao gambá: matar o bicho nem pensar. Como ele é considerado animal silvestre, não pode ser caçado, perseguido, morto. Isso é crime inafiançável e pode dar de dois e cinco anos de cadeia. Outro detalhe: o gambá não é um animal que costuma trazer doenças contagiosas, como a raiva, por exemplo. Mas, como tem uma vida livre, todo cuidado é pouco.
(Lúcio Horta)

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