Com melhores condições de vida, os animais passaram a viver mais. ''Antes o cachorro ficava no quintal, o proprietário só colocava comida e não interagia muito. Agora já se nota qualquer mudança de comportamento, pois o pet convive mais próximo da família'', explica Flávia Navas Padilha, médica veterinária e professora de Clínica Médica de Pequenos Animais da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Arapongas (Norte).
De acordo com a veterinária, também houve avanço nas técnicas de diagnóstico e barateamento dos exames, como eletrocardiograma, ecocardiograma e análises laboratoriais. Tudo isso proporciona melhores formas de acompanhar a evolução do animal.
''O ideal é que os animais façam esses exames pelo menos anualmente, a partir dos sete anos de idade. Isso proporciona mais facilidade de interferir e curar ou manter sob controle a progressão de algumas doenças'', justifica Flávia.
A veterinária explica que com sete anos os animais não são idosos, mas começam a entrar na senilidade. Nos cães, as raças gigantes devem ser examinadas a partir dos cinco anos. ''A expectativa de vida de cada animal é diferente em razão do tamanho. Cães menores vivem mais do que os cães grandes. Em média, podemos estimar que o pastor alemão vive 15 anos, um dog alemão 9, os pinchers e poodles vivem 15 anos, o cooker 17 anos. Os gatos vivem 18 anos. Tudo isso considerando que o animal não viva solto na rua, tenha uma boa alimentação e cuidados veterinários'', enumera.
Com o passar dos anos, os animais passam a ter visão e audição diminuídas e assim o proprietário precisa ter mais cuidado, não dando acesso à rua sem acompanhamento e também observando o pet em casa. ''Eles ficam mais sujeitos a acidentes e atropelamentos, pois não enxergam nem ouvem os veículos. Já atendemos animais atropelados pelo próprio dono, dentro da garagem de casa. O dono está acostumado ao cachorro sair do caminho e nem olha, um dia ele não sai e se machuca.''
Insuficiência renal
Entre as doenças mais comuns aos animais idosos estão a insuficiência renal, os problemas de coração, a catarata, os problemas de dentição. Este último pode ser evitado com a escovação dos dentes desde filhote, com creme dental específico e também a limpeza do tártaro.
''Algumas das cardiopatias são genéticas, mas a obesidade também é um fator de risco, por isso os animais devem fazer exercícios físicos de forma moderada e regular'', recomenda Flávia. Ela lembra que eles também estão sujeitos a ter problemas articulares e o excesso de peso vai causar mais dor e degeneração óssea. Os gatos são predispostos a ter problemas renais e devem ser estimulados a tomar bastante água.
A professora ressalta que os veterinários precisam se preparar para atender a esses pacientes. ''Eles têm um metabolismo diferente, precisamos aprender a trabalhar com esses animais. A partir dos sete anos já fazemos um exame físico diferenciado e o profissional pode pedir outros que julgar necessários.''
A veterinária Daniela Beatriz Sousa Moreira conta que é difícil o proprietário que vai até sua clínica pedir por um check-up do animalzinho de estimação. ''Eles trazem para vacinar ou quando o pet está doente. Mas alguns exames deveriam ser feitos com frequência. Londrina é uma cidade onde tem muita incidência da doença do carrapato, mesmo assim os proprietários não pedem hemogramas'', exemplifica.

mockup