ANIMAIS SILVESTRES - 'O fiel depositário tem um comprometimento grande'
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quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
Zootecnista e gerente técnico do Zoológico Municipal de Curitiba, Carlos Frederico Grudhofer aprova a medida do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que abriu cadastro para pessoas interessadas em adotar animais silvestres nativos apreendidos em fiscalizações, resgatados de situações de risco ou entregues por criadores não autorizados. Ele ressalta que existe uma necessidade grande de encontrar abrigo aos animais retirados da natureza ou trazidos de outros países.
Porém, Grudhofer lista uma série de considerações que precisam ser feitas antes de se cadastrar como voluntário a adotar os animais. A primeira delas é buscar informações sobre a espécie que será adotada, já que cada uma delas tem uma necessidade específica quanto a alimentação, temperatura e iluminação do ambiente. O candidato a adoção também deve avaliar se tem condições de oferecer uma estrutura de vida ao animal com alto grau de bem-estar, atendendo a todas as demandas, como ambiente adequado e segurança física e psicológica, evitando o estresse do animal, por exemplo.
E a questão financeira também é um item importante a ser considerado. Dependendo do tipo de animal, o custo mensal para mantê-lo pode chegar a R$ 1 mil, contabilizando os gastos com veterinário ou biólogo e o responsável técnico, pago mensalmente para avaliar o animal. "É como se fosse um filho e um filho de classe média", comparou.
As ressalvas feitas por Grudhofer são fundamentais porque logo que o IAP anunciou a nova medida, amplamente divulgada pelos veículos de comunicação, muitas pessoas foram até o Passeio Público em Curitiba e começaram a escolher os animais que gostariam de levar para casa. "A desinformação foi muito grande. Mais de 90% das pessoas que nos procuraram achavam que iriam adotar os animais abrigados aqui. Existe uma lista de animais adotáveis. Não é qualquer um. Algumas espécies estão fora da lista, assim como os animais em risco de extinção", disse.
O zootecnista lembrou ainda que muitos animais a serem recebidos pelos voluntários terão mutilações, limitações e problemas psicológicos e neurológicos decorrentes da vida fora de seu habitat natural.
Além de oferecer abrigo a animais com dificuldade de serem acomodados, Grudhofer aponta como ponto positivo da portaria do IAP a legalização de muitos animais mantidos irregularmente em cativeiro, facilitando a fiscalização. Mas ele reconhece que existe o risco de traficantes tentarem se beneficiar da medida para legalizar os destinatários. Por isso, afirma o zootecnista, é tão importante manter a fiscalização. "Se o modelo proposto pelo IAP for seguido, vai funcionar bem. O fiel depositário tem um comprometimento grande e se for identificado cometendo alguma irregularidade, pode dar cadeia. É uma legalização com ordens, obrigações e responsabilidades."


