Animais são transferidos para refúgio
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quinta-feira, 11 de dezembro de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
Caio Coronel/Divulgação ItaipuAcompanhamentoBiólogos implantam radiotransmissores na coleira do animal; aparelho pesa 60 gramasA Hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu, soltou ontem um casal de furões e dois gatos mouriscos fêmeas, que viviam em cativeiro. Os animais vão repovoar o Refúgio Biológico Bela Vista, administrado pela empresa, e a liberdade deles será monitorada por radiotransmissores. A experiência faz parte de um programa de reintrodução de animais silvestres nos refúgios localizados na margem brasileira do reservatório da empresa e servirá para promover o equilíbrio da fauna na região.
Os radiotransmissores implantados nas coleiras dos furões pesam 60 gramas e a dos gatos mouriscos 70 gramas. Pela nossa experiência, podemos prever que a coleira deve ter uma vida útil em torno de um ano, acredita o biólogo Emerson Suemitsu, responsável pelo rastreamento de animais.
Caio Coronel/Divulgação ItaipuProtegidoNormalmente o gato mourisco, exclusivamente carnívoro, tem chance de sobrevivência de 50 a 80%
Com a ajuda do equipamento será possível localizar a área que esses animais escolherão para viver e acompanhar o processo de adaptação com a liberdade. Os gatos mouriscos e os furões têm uma chance de sobrevivência estimada entre 50% e 80%, segundo previsão dos biólogos.
Um dos gatos mouriscos nasceu em cativeiro. O outro vivia solto e foi entregue aos pesquisadores em novembro do ano passado. Já os dois furões nasceram em setembro e dezembro de 1991. Os animais passaram por um processo de adaptação à vida em liberdade e ficaram em recintos completamente isolados do contato humano.
Enquanto estavam no cativeiro, os animais se alimentavam com animais e frutos. O mourisco é exclusivamente carnívoro, mas o furão, além de comer pequenos mamíferos e aves, se alimenta de frutos silvestres e peixes.
No mesmo programa, os biólogos da Itaipu já soltaram um cachorro-do-mato, um mão pelada e um quati. O mão-pelada, segundo informações obtidas pelos radiotransmissores, acabou morrendo, mas os dois outros animais continuam vivos.
ExperiênciasA Itaipu vem mantendo um criadouro de animais selvagens. Nos viveiros, estão sendo mantidas algumas espécies de deverão ser soltas nos próximos meses. Alguns desses animais, como é o caso de uma jaguatirica, estão em extinção.
Com os dados obtidos no rastreamento, esperamos adquirir mais experiências. Daqui para frente, tudo vai depender das informações que nós obtivermos através dos radiotransmissores serão fundamentais para continuarmos a libertar outros aninais, afirmou Suemitsu.
A experiência também está sendo feita com peixes reproduzidos em tanques-redes, como é o caso do pacu. Eles estão sendo marcados com cápsulas na espinha dorsal e soltos no lago de Itaipu. Cada funcionário da empresa tem direito a marcar um exemplar e, caso o peixe for recapturado por algum pescador, o funcionário ganha um brinde. Esse trabalho tenta acompanhar o trajeto de cada espécie, depois de ter sido criado em cativeiro.


