Sem-terra que foram retirados pela Polícia Militar da Fazenda Cachoeira, em Sapopema, (132 km ao sul de Cornélio Procópio), há dez dias, denunciam agora que parte das criações de galinhas, porcos, cavalos e vacas, foi deixada pela PM dentro da propriedade. Eles disseram ainda que as ferramentas - enxadas, foices, facões e escavadeiras - também ficaram na sede da fazenda, mas foram impedidos de buscá-las.
Segundo o coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Sapopema, Luiz Alonso Sales, houve tentativa de acordo com a PM para voltar à fazenda e recolher os objetos que ficaram para trás. ‘‘Os policiais dizem que o risco é nosso e que não se responsabilizam pelo que acontecer na fazenda, justificando que precisam de autorização judicial. Pelos nossos cálculos, com os animais e ferramentas perdidas, além do trator que foi danificado, tivemos um prejuízo em torno de R$ 12 mil’’, comentou.
Sales disse que a polícia não permitiu que eles retirassem os animais durante a desocupação da propriedade, no dia 4 deste mês. As ferramentas, afirmou, foram recolhidas e amontoadas na sede da Fazenda Cachoeira. ‘‘A criação serve de alimento para as famílias e as ferramentas seriam utilizadas pela gente no trabalho de bóia-fria’’, ressaltou.
As cerca de 35 famílias que estão alojadas no ginásio de esportes de Sapopema deverão ser transferidas a partir de hoje para o assentamento Terra Livre - fazendas Nossa Senhora Aparecida e Arichiguana -, em São Jerônimo da Serra, a cerca de 25 km de Sapopema. Os sem-terra, inclusive os oito que foram presos durante a desocupação da fazenda e liberados na sexta-feira, ficarão acampados ali até que o Incra se pronuncie sobre a reanálise do processo que considerou a Fazenda Cachoeira produtiva.
Ontem à tarde, o proprietário da Fazenda Cachoeira, Osvaldo de Almeida Rocha, disse desconhecer o teor da denúncia de que animais e ferramentas foram deixadas na propriedade. Ele transferiu a responsabilidade pelo suposto sumiço dos objetos para a PM e Justiça, que foram os responsáveis pela ação de reintegração de posse.
‘‘Recebi as terras do oficial de Justiça de Curiúva depois que a fazenda foi desocupada. No dia seguinte a PM ainda solicitou que um grupo de sem-terra recolhesse os pertences e animais que ficaram para trás’’, afirmou. Após este pedido, disse que ninguém mais solicitou autorização para retornar à fazenda para localizar objetos e animais perdidos.

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