Animais doentes e clientes lesados
Em muitos casos, o cliente lesado desiste de ir atrás de seus direitos. Alguns poucos vão à justiça. Na Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor do Paraná (Procon-PR), em 2008 foram feitos cerca de 30 atendimentos envolvendo venda de animais, sendo 14 referentes a problemas de sáude ou morte. Há também queixas sobre como proceder diante do não recebimento de documentação de pedigree, devolução do animal e da constatação de raça diferente da comprada.
''O problema é que 99% do pessoal que faz feiras põem filhotes de qualquer tipo, com ou sem pedigree, sem garantia de onde veio. Na hora que o cliente vai reclamar, os caras somem e não querem acertar'', diz o presidente do Kennel Clube da Grande Curitiba, João Ihor Hurzok. Segundo ele, quem tem obrigação de responder pelos animais é o organizador da feira ou o proprietário do local onde a feira é realizada. Cabe a eles exigir garantias dos criadores.
Justiça
Camila Schmidt foi duplamente enganada quando comprou Laila, em abril, em um canil de Curitiba, que ela descobriu em um anúncio na internet. Ela achava que tinha adquirido uma Yorkshire com três anos e castrada. Vinte dias depois, quando a cadelinha começou a passar mal com infecção no útero, ela descobriu que Laila tinha pelo menos oito anos de idade, não era castrada, e sua doença era resultado de uma vida de muitas crias e pouco tratamento. ''Eu tentei salvá-la, foi feita cirurgia para retirada do útero, gastei R$ 1,6 mil, mas ela não resistiu'', conta. Ela procurou o canil, mas não conseguiu conversar com os responsáveis e, por isso entrou com ação na justiça.
Vanessa Nogueira Rocha, ao comprar seu filhotinho de lhasa, foi informada no pet shop que Barney já estava vacinado. Tudo indica que a informação não era verdadeira, pois sua doença, três meses depois, foi causada justamente pela não vacinação, segundo diagnóstico veterinário. ''Eu procurei a dona do pet, mas fui expulsa do lugar'', conta.
O engenheiro Juan Carlos Gironda, por sua vez, tem três histórias de animais de estimação comprados em feiras e que tiveram complicações de saúde. Em 2000, ele comprou Billy, um gato persa, em uma feira em Camboriú; em 2001, adquiriu a gata Lady e o cocker americano Simba em uma feira em Curitiba. Os três tiveram problemas como vermes, doença gástrica, diarréia, aparecimento de feridas em várias partes do corpo.
O cachorrinho veio com carteira de pedegree e carteira de vacinação, mas esta não trazia o carimbo do veterinário responsável. ''Procurei o endereço da carteirinha, que era falso, não existia e o telefone não atendia'', diz. Hoje, ele e a família contam apenas com a companhia da gata Lady. Todos os três bichinhos foram tratados e sobreviveram. O outro gato está na casa de um parente e Simba, o cocker, sumiu em 2007. (M.G.)





