UMUARAMA - A farra dos animais de rua está com os dias contados em Umuarama. Na próxima semana, eles começam a ganhar pouso permanente numa chácara de dois hectares administrada pela recém-criada Sociedade de Amparo aos Animais na periferia da cidade. Já de início a chácara deve receber 200 animais entre cães e gatos, mas há espaço para muito mais.
Também haverá lugar para bois e cavalos que pulam a cerca e atrapalham o trânsito. Cada animal terá uma carteirinha com foto. A identificação facilitará a comprovação de reincidência de ‘‘fuga’’. Neste caso, os proprietários é que sairão perdendo, pois terão que pagar multa. O valor ainda não foi estipulado. Há a possibilidade do valor ser abatido com o uso do animal na coleta de entulhos.
A Sociedade de Amparo aos Animais nasceu há pouco mais de um mês, depois que a professora Iracema Prado começou a enfrentar problemas com o Ministério Público por causa das reclamações de vizinhos. Há cerca de cinco anos ela transformou a casa, no centro da cidade, num abrigo para animais doentes e abandonados. A cada dia foram chegando mais animais e o resultado é uma superlotação de 80 cães e 40 gatos.
A idéia de criar a entidade foi liderada pelo engenheiro Rui Martins Lisboa e pela advogada Carmen Maria Castaldi. Por enquanto, eles estão estruturando a entidade, que tem como principal objetivo diminuir a população de animais vadios. Cães e gatos que forem encontrados longe de casa serão recolhidos e levados para a chácara, onde receberão alimentação e tratamento veterinário.
Castrados Se num prazo de 30 dias não forem procurados pelos donos, os animais serão castrados. ‘‘Vamos tratar os animais com amor e carinho, mas não podemos permitir essa reprodução desenfreada, até porque um dia não teremos espaço para tantas cabeças’’, disse Rui Lisboa.
Diariamente a prefeitura recebe reclamações de animais soltos nas ruas. No ano passado, pelo menos dois acidentes envolvendo cavalos soltos nas avenidas que dão acesso ao centro foram registrados pela polícia.
A Sociedade também se preocupa com a proliferação de doenças entre os bichos menores. Em alguns casos eles transmitem o problema às crianças.
A prefeitura está entrando com parte dos recursos para a adequação da chácara, alugada por R$ 150,00 no bairro São Cristóvão. O espaço, que será ampliado nos próximos meses, deve ser mantido com a ajuda da comunidade.
Uma associação está sendo criada para arrecadar fundos. Cada associado ou voluntário pagará uma taxa de R$ 10,00 por mês para a manutenção do local.
A sugestão de algumas lideranças comunitárias de retomar a ‘‘carrocinha’’, temida por causa do extermínio de pequenos animais, foi descartada pela Sociedade de Proteção.
A idéia é colocar nas áreas uma guarda específica para recolher os bichos e mandar para a sede da entidade. ‘‘O sacrifício está fora de cogitação, porque ao meu ver é desumano’’, afirmou Lisboa.

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