Animais de rua dão trabalho para bombeiros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de janeiro de 2007
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
Quase todos os dias o Corpo de Bombeiros atende uma ocorrência envolvendo animais de rua em Londrina. Pequenos ou de grande porte, a maioria dos animais acaba fazendo alguma vítima, mesmo que com ferimentos leves. Mas o problema não é só esse. Depois que as vítimas são socorridas, os animais, quase sempre cães, são amarrados ou apenas levados para um outro lugar, onde continuam abandonados, ora vítimas, ora agressores.
O subcomandante do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros, major Dario Natan Bezerra, disse que as solicitações de busca, remoção e captura de animais silvestres ou cavalos, abelhas, vespas, marimbondos e, principalmente, cães, têm sido frequentes.
Em 2006 os bombeiros atenderam 206 ocorrências envolvendo animais; destas, 55 eram de captura de cães e 45 dos atendimentos tiveram vítimas com ferimentos graves e leves. Em janeiro passado, um bebê com um mês de vida morreu a caminho do hospital depois de ter levado uma mordida na cabeça de um cachorro de rua que a família tinha acabado de adotar, no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste).
''Não temos para onde encaminhar esses animais. No caso de cães, chegamos no local, amarramos o animal, socorremos a vítima, mas depois não temos o que fazer com o bicho. Às vezes, basta remover o animal, mas na maioria dos casos em que é levado para outro lugar, ele acaba atacando outra pessoa'', disse o major.
Em algumas situações as equipes dos bombeiros contam com o apoio da ONG SOS Animal, mas a entidade não tem condições de atender a demanda. Segundo a presidente da ONG, Andrea Jacomossi Sant'Anna, calcula-se que em Londrina existam cerca de 35 mil animais de rua.
Uma alternativa, segundo Andrea, seria a instalação de um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) atuando em parceria com a entidade. Segundo ela, a experiência deu certo em Campos do Jordão (SP). ''Eles trabalham com a castração de animais. Além disso, tratam de animais que podem transmitir alguma doença'', conta.
A discussão sobre o CCZ não é nova. A secretária municipal de Saúde, Josemari Arruda Campos, lembrou que em 2001 a verba de R$ 400 mil do Ministério da Saúde foi devolvida por iniciativa do Conselho Municipal da Saúde. ''Só para a construção do prédio e equipamentos, o município teria que dar uma contrapartida de cerca de R$ 700 mil. Além disso, quem pagaria os funcionários? E a manutenção desse centro? Tudo isso foi questionado, então foi decidido que se devolvesse a verba até que a discussão pudesse ser mais aprofundada'', explicou.
Para a secretária, a constução de um CCZ na cidade é importante, mas é fundamental a conscientização das pessoas. ''O CCZ seria uma medida a mais, mas as pessoas devem praticar a posse responsável dos animais.''


