Eles são fofinhos, engraçados e encantadores, mas também podem ser barulhentos, carentes e destruidores. Na hora de arrumar um animal de estimação não dá para agir só com o coração, é preciso ouvir também a razão. A dica é da professora do curso de Medicina Veterinária da Unopar, Silvia Manduca Trapp.
''Leve em conta o seu perfil, o do animal e do lugar onde você mora. O ideal é se perguntar o que você espera do animal: companhia? Segurança? Se for companhia, para quem ele vai fazer companhia? Crianças? Idosos? Quantas horas de atenção essas pessoas podem dispensar ao animal, diariamente? O espaço onde ele vai viver é grande ou pequeno? Estas perguntas podem ajudar a fazer a escolha certa, evitando arrependimentos e até o abandono dos animais'', alerta.
Se o futuro dono for uma criança ou um idoso, a professora recomenda animais de temperamento mais dócil, pacato. ''Entre os cães temos os Lhasa apso e os Shitzus. Eles são capazes de passar tranquilamente grande parte do tempo sem muita atividade física, mas não gostam de ficar muito tempo sozinhos''. Ela lembra que os gatos também são excelente companhia para idosos, mas nem sempre se dão bem com crianças: ''Os da raça persa são mais calmos e os siameses são mais temperamentais'', avisa.
Assim como não se deve comprar um animal só por achá-lo ''bonitinho'', o tamanho também engana; nem todos os cães pequenos são recomendados para crianças: ''Pinchers e Schnauzers são voluntariosos e mais hostis, apesar do pequeno porte. Já raças como o Labrador e o Boxer, apesar de grandes, são muito recomendadas para crianças'', frisa Silvia.
Na opinião da professora, a partir do momento em que a criança já entende conceitos básicos de higiene ela pode ser relacionar com animais: ''Eu sugiro esperar passar a fase oral, em que as crianças colocam tudo na boca, principalmente as mãos'', adverte. Outro cuidado é não deixar crianças muito pequenas encarregadas de cuidar do bichinho: ''Antes dos sete anos as crianças não têm maturidade para assumir a manutenção de um animal. Exigir que ela alimente, dê água e seja capaz de prover as necessidades de um cão é errado. Ela pode ajudar, mas é preciso um adulto responsável para ensinar e fiscalizar isso'', diz Silvia.
Animais de estimação demandam atenção e tempo. Cães e gatos que ficam sozinhos o dia todo podem desenvolver comportamentos doentios, avisa a professora: ''Eles podem destruir coisas, comer demais e até mesmo se ferir. Fazem isso para amenizar a ansiedade e a solidão. Por isso, eu recomendo que as pessoas pensem objetivamente em quantas horas por dia elas têm para passar com o animal. Se você trabalha fora o dia inteiro e volta pra casa à noite, cansada, é melhor você ter um gato do que um cachorro'', exemplifica.
O espaço físico em que seu novo amigo vai morar também precisa ser levado em consideração. Raças como o Pitbul, o Doberman e o Rotweiller têm muita energia: ''É complicado criar um cachorro desses em um apartamento. Eles precisam de espaço e de exercício diário'', comenta Silvia.
Uma solução encontrada por muitos proprietários é ter mais de um animal, para que um faça companhia ao outro. ''Pode ser uma boa ideia já que realmente eles vão se sentir menos solitários. No entanto, é bom lembrar que podem surgir brigas com consequências fatais'', aponta.
Finalmente, para quem já escolheu seu animal de estimação, um conselho da veterinária: ''Se informe sobre a raça, leia e procure saber mais sobre as predisposições a doenças, converse com outras pessoas que já tenham optado pela mesma raça. Isso vai fazer com que você cuide melhor do seu bichinho e também vai ajudar a prevenir problemas que podem ser evitados''.

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