A partir do mês que vem, os cães e gatos da Ilha do Mel, no litoral paranaense, deverão estar na mira dos professores e estudantes de medicina veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Dependendo apenas de apoio financeiro, o projeto pretende fazer o controle populacional dos animais no local, através da esterilização.
A idéia é que o projeto substitua a antiga carrocinha. Além de serem castrados os animais serão desverminados e cadastrados, ficando sob inteira responsabilidade de seus donos. ‘‘O que acontecia aqui antes’’, conta Gilberto Espinosa, secretário da Associação Comercial da Ilha do Mel, ‘‘é que as pessoas tinham cães e gatos, mas só se encontravam com eles na praia, como se fosse uma paixão à distância. O que o projeto deve fazer é aproximar animais e proprietários’’, explica.
Já realizado com bons resultados em Londrina, na região Norte do Estado, o ‘‘Programa de Manejo Integrado de Cães e Gatos’’, já foi encaminhado para 14 fundações que costumam apoiar atividades ligadas ao meio ambiente. Orçado em R$ 180 mil reais, ele deverá envolver pelo menos 25 alunos, além de vários professores da UEL, que durante três anos estarão fazendo também um levantamento das doenças causadas pelos animais nos moradores e turistas da região.
Zoonoses - ‘‘O que devemos fazer’’, esclarece a professora Maria de Lourdes Estrela Farias, coordenadora do projeto, ‘‘é traçar uma estratégia de erradicação das doenças, através do tratamento dos próprios animais. Já foram registrados na Ilha vários casos de bicho geográfico e até mesmo de leptospirose, mas há ainda outros riscos que devem ser levados em consideração’’.
De acordo com a professora, a população de cães hoje na Ilha já chega a 500 animais. E em cada cria, as cadelas reproduzem pelo menos mais seis filhotes que, sem alimentação e sem cuidados de saúde, acabam invadindo áreas de reserva natural, levando doenças e matando a fauna silvestre.
‘‘Isso é prejudicial para a própria imagem da Ilha’’, diz Maria de Lourdes. ‘‘Ela é o segundo lugar mais visitado pelo turista no Estado. E é um absurdo que ele veja essa degradação ou mesmo que venha atrás de um turismo ecológico e acabe saindo parasitado’’.
Depois de tratados e devidamente cadastrados, os animais atendidos pelo projeto ainda receberão uma coleira especial onde serão identificados como cães ou gatos ‘‘de mel’’.

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