As matas nativas existentes no perímetro urbano de Foz do Iguaçu estão servindo como trilha para animais silvestres circularem entre as margens do Lago da Usina de Itaipu e Parque Nacional do Iguaçu. A existência de um corredor imaginário vem sendo comprovada a partir das experiências realizadas pelos pesquisadores da Itaipu, com o projeto de repovoamento da fauna nas margens do lago. Eles afirmam que o mesmo corredor está beneficiando a ampliação da flora.
Em novembro do ano passado, um mão-pelada e um cachorro do mato foram soltos com coleiras especiais dotadas de radiotransmissores que permitem o acompanhamento da vida em liberdade. Poucos dias depois da soltura, o mão-pelada percorreu um caminho bem diferente do cachorro do mato, que se fixou no Refúgio Biológico Bela Vista da Usina. O mão-pelada usou trilhas de matas, atravessou a BR-277 e acabou morrendo por motivos ainda não identificados em um bairro de Foz do Iguaçu.
‘‘O mão-pelada estava se dirigindo para o Parque Nacional, usando manchas de matas nativas espalhadas pelo centro da cidade como entrada’’, conclui o biólogo Hélio Fontes, do Departamento de Meio Ambiente da Itaipu, que defende a preservação dessas manchas de mata.
Os pesquisadores da usina acreditam que alguns animais do Parque Nacional, principalmente aves, estão chegando até o Pantanal Mato-grossense, e vice-versa, através dessas matas e das margens do lago.
Para os pesquisadores, os animais ‘migram’ entre o parque e o pantanal não para buscar liberdade, e sim para garantir a sobrevivência. Devido à devastação do meio ambiente, os bichos passaram a viver em blocos isolados e começaram a cruzar com membros de outras famílias.

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