Animais cruzam cidade por matas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de fevereiro de 1997
Sucursal de Foz do Iguaçu 
As matas nativas existentes no perímetro urbano de Foz do Iguaçu estão servindo como trilha para animais silvestres circularem entre as margens do Lago da Usina de Itaipu e Parque Nacional do Iguaçu. A existência de um corredor imaginário vem sendo comprovada a partir das experiências realizadas pelos pesquisadores da Itaipu, com o projeto de repovoamento da fauna nas margens do lago. Eles afirmam que o mesmo corredor está beneficiando a ampliação da flora.
Em novembro do ano passado, um mão-pelada e um cachorro do mato foram soltos com coleiras especiais dotadas de radiotransmissores que permitem o acompanhamento da vida em liberdade. Poucos dias depois da soltura, o mão-pelada percorreu um caminho bem diferente do cachorro do mato, que se fixou no Refúgio Biológico Bela Vista da Usina. O mão-pelada usou trilhas de matas, atravessou a BR-277 e acabou morrendo por motivos ainda não identificados em um bairro de Foz do Iguaçu.
O mão-pelada estava se dirigindo para o Parque Nacional, usando manchas de matas nativas espalhadas pelo centro da cidade como entrada, conclui o biólogo Hélio Fontes, do Departamento de Meio Ambiente da Itaipu, que defende a preservação dessas manchas de mata.
Os pesquisadores da usina acreditam que alguns animais do Parque Nacional, principalmente aves, estão chegando até o Pantanal Mato-grossense, e vice-versa, através dessas matas e das margens do lago.
Para os pesquisadores, os animais migram entre o parque e o pantanal não para buscar liberdade, e sim para garantir a sobrevivência. Devido à devastação do meio ambiente, os bichos passaram a viver em blocos isolados e começaram a cruzar com membros de outras famílias.


