Penélope Ohana Red Hall de San Ra-ab tem um nome de fazer inveja a qualquer nobre. A dona de tão elegante alcunha, porém, não circula entre os eventos mais badalados da sociedade. O motivo é simples: Penélope é uma gata persa. Seu proprietário, o maquiador e hair designer Luiz Alberto Maran conhecido como Beto Maran escolheu o primeiro nome em homenagem a uma personagem de desenho animado. O complemento denomina o pedigree do animal.
Assim como Beto, muita gente dá nomes humanos aos bichinhos de estimação. O assunto gerou polêmica, recentemente, com a apresentação, em Brasília, de um projeto de lei de autoria do deputado Pastor Reinaldo (PTB-RS), que proíbe donos de animais de batizar seus bichos com nomes próprios comuns às pessoas. O parlamentar acredita que a medida evitará os constrangimentos nos encontros entre homem e animal que compartilham o mesmo nome.
O projeto que prevê, inclusive, pagamento de multa, está sendo analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara. A proposta não tem a aprovação dos amantes dos animais.
''Ridículo'', sentenciou Maran sobre o projeto de lei. Para ele, pessoas com xarás no mundo animal não se sentem constrangidas, mas lisonjeadas. ''Tive uma gata chamada Margarida. Uma cliente com o mesmo nome adorava a gata'', contou ele. ''Um animal com o nome desse deputado é que ficaria constrangido'', criticou.
O professor e tradutor de francês Kleber Arantes, dono da gata Aurora, também discorda do projeto de lei. ''É só para o animal atender. Esse deputado deve ter tido algum problema com nomes de animais'', opinou. Seu bicho de estimação tem nome e sobrenome: Aurora Miranda. A denominação homenageia a irmã de Carmem Miranda, que já batizou outra bichana da famíla. ''Logo depois que a Carmem foi roubada, ganhei uma nova gata e coloquei o nome de Aurora'', revelou ele, que apelidou seu bichinho de ''gordesa''. ''Ela atende por qualquer nome.''
Se o projeto de lei for aprovado, muitos clientes do Pet Shop Dudu terão problemas com a Justiça. Henrique, Bruno, Alfredo e Bianca, entre outros, batizam alguns animais atendidos pelo estabelecimento. ''Já tratei uma cachorra chamada Cíntia. Era minha xará'', brincou a proprietária Cíntia Regina Beraldo Santos.
Na loja, é normal chamar animais e ouvir a resposta de clientes homônimos. ''As pessoas acham engraçado, mas não ligam'', disse ela, que deu ao pet shop o nome de seu cachorro, o daschund Dudu. Em caso de aprovocão da idéia do deputado, aliás, Cintia também correria risco de ser multada. O cachorro foi batizado em homenagem ao seu marido, chamado Eduardo, que se sentiu prestigiado por ter um cachorro com o próprio nome.

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