Animais causam transtornos no trânsito
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quarta-feira, 24 de março de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Cavalos, bois e outros animais de grande porte soltos na zona urbana de Londrina não estão trazendo somente problemas para a Vigilância Sanitária. O trânsito, principalmente da Zona Sul, já sente os efeitos do passeio dos animais e a própria Francovig, empresa de transporte urbano que atende aos moradores da região, registra até quatro ocorrências de atrasos nas linhas por semana, provocados pela presença de animais nas ruas.
Segundo o gerente de transporte da Francovig, Milton Félix dos Santos, o risco de acidentes provocados por animais soltos é grande. ''Felizmente, nunca aconteceu'', conta. Mas os motoristas como os da linha 202 (Roseira), segundo Félix, constantente são obrigados a descer dos carros para afastar pessoalmente os bichos das ruas, atrasando o itinerário. ''O problema é mais grave nas áreas distritais, onde existem mais terrenos vazios'', explica. ''Mas os trechos percorridos em rodovias, onde a velocidade é maior, são os com maiores riscos.'' A assessoria de imprensa da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) informou que a empresa nunca registrou casos semelhantes.
Moradora do Jardim Vale Azul, a cozinheira Mara de Abreu sentiu na prática os problemas gerados por animais soltos nos terrenos baldios da região. Mara presenciou, por várias vezes, situações onde os ônibus se atrasam por causa de animais e ela própria quase foi vítima do descuido dos donos dos bichos. ''No sábado passado, eu, meu marido e meus dois filhos estávamos voltando de carro para casa quando cinco bois e cavalos atravessaram a pista. Meu marido precisou frear bruscamente para evitar um acidente'', conta. Segundo Mara, ninguém se feriu no incidente.
Mara reclama que, há pelo menos três anos, o caminhão da empresa contratada pela secretaria do Meio Ambiente (Sema) de Londrina, que faz a apreensão de animais soltos, não passa pelo bairro. E os problemas são constantes. ''Todo dia tem bicho solto por aqui'', diz. A veterinária da secretaria, Anne Christina Hiltel, rechaça a afirmação da cozinheira. ''Fazemos apreensões constantes naquela região, inclusive neste ano'', rebate. A veterinária também recomenda que Mara e outros moradores do bairro denunciem casos de animais soltos à secretaria pelo fone 3341-9660. ''Com as denúncias, nosso trabalho fica mais fácil''. A empresa responsável pelas capturas usa somente um caminhão e apreende, em média, 24 animais por mês. Segundo Anne, esse número é constante desde o ano passado. ''Não adianta ter mais equipes na rua ou mais verbas para a captura. O melhor meio de prevenir esses incidentes é a conscientização dos donos dos animais'', frisa.
Bois, cavalos e até jegues já foram apreendidos pela Sema. Os animais ficam presos em um pasto reservado na zona rural de Londrina por até sete dias. Após este prazo, os donos não podem mais recuperá-los. As multas para retirada são de R$ 20,00 e R$ 50,00 para reincidentes. Se o gado de um mesmo dono for preso pela terceira vez, também não há possibilidade de recuperá-lo. Os animais confiscados pela secretaria são doados para pequenos produtores rurais, de acordo com uma lista de espera organizada por ordem de pedidos.


