Animais ajudam a superar momentos difíceis
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de novembro de 2008
Marian Trigueiros<BR>Reportagem Local 
Não é de hoje que ouvimos falar sobre os benefícios do convívio dos humanos com os animais, principalmente os domésticos. Uma observação mais recente tem colocado em evidência a participação de animais na recuperação de pessoas que tenham ou estejam passando por momentos de trauma. No entanto, os estudos que comprovam esse assunto ainda são relativamente recentes, que tem na resistência por alguns integrantes da classe médica, outro agravante.
Esse foi um dos temas abordados pela psicóloga norte-americana Froma Walsh, que esteve em Londrina para ministrar o workshop ''Fortalecendo a resiliência familiar: facilitando a recuperação e o crescimento em situações de crise, trauma e adversidade'', promovido pelo Centro Educacional ISBL. Com uma carreira internacionalmente conhecida, Froma terá em breve um artigo publicado na revista científica Family Process, em que ela trata exatamente das mudanças que a relação com os animais pode trazer na recuperação e enfrentamento dos problemas.
Segundo ela, esses estudos são muito novos no campo da saúde mental, contudo, os resultados são visíveis, não só físicos, mas também os mentais, como na diminuição do estresse e da depressão. ''Em anos de consultório pude identificar, diante de relatos de experiências, que os animais têm tido papel fundamental para a superação de situações difíceis como divórcio, luto, perda de emprego e até mesmo doenças crônicas e deficiências'', explicou. Para ela, os animais hoje fazem parte da nova estrutura familiar. ''É uma relação sem palavras, porém, com laços profundos. O animal sempre é fiel'', acrescentou.
Com diversos casos pelos quais várias pessoas passaram, Froma destaca que muitas delas conseguiram reestabelecer a confiança, reconstruir a auto-estima e começaram a ter redes de relacionamento mais fortes. ''Muitas vezes, diante dos problemas, as pessoas acabam se isolando. A relação com os animais traz esperança e permite que elas voltem ao convívio social'', disse ela, que faz uso da terapia assistida por animais e leva seu cachorro ao consultório para acompanhá-la nas sessões. A psicóloga explica que essa metodologia é um dos recursos utilizados na terapia para o fortalecimento familiar.
Comprovado ou não, há quem acredite e recomende o relacionamento mais próximo com os animais. Como a aposentada Laice Baggio Morais, de 57 anos, que tem sua cachorrinha Letícia como uma companheira de todas as horas. Ela, que ficou paraplégica depois de um acidente de carro, há dez anos, teve de se adaptar a nova vida. ''Foi tudo muito difícil, a mudança foi grande. Mas, com a Letícia não tem como sentir solidão ou pensar coisas ruins. Converso com ela o tempo todo e onde vou ela vai atrás. Os vizinhos dizem que até parece que tem alguém conversando comigo'', comentou.
Sua história com animais começou bem antes de Letícia, quando ela tinha uma pastora alemã. ''Enquanto estava internada no hospital, a cachorra não se alimentava. No mesmo dia em que retornei para casa, ela voltou a comer'', lembra. Segundo ela, a relação com a cachorra era de carinho, e principalmente de proteção, já que era de grande porte. ''Como a Letícia é menor, fica comigo direto. Me preocupo com ela como se fosse uma criança. E ela corresponde; vive fazendo graça para agradar. Minha filha diz que dou mais atenção à cachorra do para ela'', brincou.


