A população de animais abandonados pelas ruas de Londrina pode representar uma ameaça ao bem estar da população. Sem um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), que possui entre outras atribuições o controle populacional, o surgimento de uma epidemia em larga escala, de toxoplasmose ou de leishmaniose, por exemplo, deixaria a cidade vulnerável e com problemas para conter o avanço da doença. A opinião é do médico veterinário Wilmar Sachetin Marçal, diretor do Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Marçal afirma que o município não possui hoje um controle populacional eficaz - estima-se que existam cerca de 14 mil animais soltos e que o poder público deve assumir sua responsabilidade. ''Esse animais que perambulam pelas ruas, que migram de um local para outro, estão sujeitos a vários tipos de doença. E o risco de contaminar a população, através de uma mordida, secreção, lambida ou pelo contato, é muito grande. Essa situação beira o caos'', avaliou o professor.
Marçal é um dos mais engajados defensores da instalação do CCZ na cidade. Segundo ele, o prefeito Nedson Micheleti, em entrevista à Rádio Brasil Sul, no início da mês, chegou a taxar o CCZ de ''centro de extermínio''. ''É uma posição equivocada. Na minha opinião, essa é uma estratégia de sensibilizar a população, mas na verdade o município é contra a instalação do CCZ. Não defendo a volta da carrocinha. Com o CCZ, os animais seriam capturados sem dor e receberiam um atendimento específico. Primeiro seriam castrados, quebrando o ciclo de gestação. Depois seriam tratados e encaminhados para adoção com ajuda de Organizações Não Governamentais'', relatou Marçal.
Com a gripe aviária avançando cada vez mais em países do Sudeste Asiático e do Oriente Médio alguns especialistas chegam a compará-la à gripe espanhola do começo do século passado e a volta da febre maculosa, transmitida pelo carrapato estrela, que provocou neste ano mortes no Rio de Janeiro e São Paulo, especialistas acreditam que a instalação de um órgão específico de controle desse tipo de doença é considerado estratégico. ''São essas doenças que um Centro de Zoonoses tem a função de prevenir. Seu objetivo não é apenas castrar e sacrificar animais'', argumentou.
O CCZ teria ainda condições de montar um banco de dados e monitorar a vida de cada animal atendido. Outro benefício, de acordo com o professor, seria a redução do número de acidentes envolvendo animais, principalmente os cães. Marçal acredita que no prazo de dois anos a situação estaria controlada. ''A eficiência do trabalho dependeria do número de equipes. Quanto mais gente trabalhando, menos animais nas ruas e menor as chances de uma epidemia'', afirmou.
A instalação do CCZ se transformou em uma das principais polêmicas da cidade. A prefeitura perdeu neste ano cerca de R$ 400 mil aprovados pelo Ministério da Saúde para a construção do Centro e teve que devolver o dinheiro. A administração, de acordo com informações de sua assessoria de imprensa, não considerou a obra uma prioridade, mas disse que a construção do CCZ ainda faz parte de planos futuros. A prefeitura teria que assumir uma contrapartida de aproximadamente R$ 600 mil e achou o valor alto demais.
O prefeito, por meio de sua assessoria, disse que não considera o CCZ uma unidade de extermínio. Nedson afirmou ainda que o trabalho de prevenção de doenças de caráter zoonótico está sendo realizado pela Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com a UEL e com a ONG SOS Vida Animal, que presta serviço de adoção de animais.
A coordenadora da SOS Vida Animal, Ligia de Oliveira Rutkowski, preferiu manter uma postura neutra sobre a construção do CCZ. ''Não entendo muito sobre essa questão, mas somos contra extermínio em massa de animais. Não sei se o CCZ faz isso ou não, mas só aceitamos a eutanásia em casos irreversíveis'', afirmou.

mockup