Aníbal não recebe impeachment
A Assembléia Legislativa não vai receber o pedido de impeachment preparado pelo advogado Carlos Alberto Pereira em favor das viúvas credoras do Instituto de Previdência do Estado (IPE). O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), disse ontem que o protesto é válido, mas que não vai admitir aproveitamento político a pouco mais de uma semana das eleições.
Usadas nos programas eleitorais dos candidatos ao governo, as viúvas passaram à tarde em frente o prédio do Poder Legislativo em Curitiba. Sem panelaço, elas coletavam as últimas assinaturas para o pedido. Ao todo são 20 viúvas que vão requerer a cassação do mandato de Lerner.
O advogado pretende protocolar a ação ainda hoje, mesmo diante da resistência de Khury. Candidato em 86 ao governo do Estado e a deputado em 90, Pereira fez do drama das viúvas sua bandeira, o que o coloca em evidência. Ele se baseou no atraso do pagamento de R$ 5,6 milhões em precatórios (créditos garantidos por decisão judicial) para preparar o impeachment.
Pereira alega ainda descumprimento da lei orçamentária e que o governo não fez acordo com as viúvas para o pagamento dos cerca de 350 precatórios vencidos em 96 e 97. Razão pela qual promete ajuizar nos próximos dias ação popular contra os secretários da Fazenda, Giovani Gionédis; e do Planejamento, Miguel Salomão. Nós estamos avisando há meses que iríamos deflagar esse protesto em plena eleição. Fomos ignorados. O governador acha que está eleito, protestou, apoiado pelas viúvas.
O procurador geral do Estado, Luiz Carlos Caldas, um dos responsáveis pelas negociações que envolvem o pagamento de precatórios, disse à Folha ontem que a questão passou a ser explorada politicamente. Nunca nos recusamos a conversar. Já firmamos acordos e estamos pagando os créditos atrasados. Em junho, quitamos os precatórios trabalhistas de 96, afirmou. Caldas disse que está à disposição das viúvas para discutir o problema.Leandro TaquesO advogado Carlos Alberto Pereira e algumas das credoras do IPELeandro Donatti





