O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, que encerrou ontem sua visita ao Paraná, pediu ajuda da comunidade internacional, em especial do Brasil, para reativar o programa de produção de alimentos de seu país. Eduardo dos Santos disse que para alimentar a população de Angola, em torno de 10,8 milhões, seriam necessárias mais 470 mil toneladas de cereais ao ano. O déficit faz com que 62% da população consuma menos de 66% das necessidades calóricas, segundo Santos. O presidente afirmou que 63% do povo angolano vive abaixo da linha da pobreza, mais de 13%, segundo ele, está em extrema miséria.
O apelo foi feito, em Curitiba, durante a entrega do título Doutor Honoris Causa ao presidente de Angola pela Universidade Federal do Paraná. Eduardo Santos disse que pretende criar um fundo para a reativação da produção agropecuária e agrícola. A intenção do presidente é obter apoio financeiro do setor privado para a composição do fundo que irá oferecer incentivos e empréstimos a juros menores aos agricultores de Angola.
Uma das principais causas da crise econômica do país é a guerra civil, que tomou conta de Angola desde a independência de Portugal em 1975. ‘‘A guerra foi, sem dúvida, um dos fatores que concorreu para a degradação da situação econômica e social dos angolanos, pois impediu a livre circulação de pessoas e bens e paralisou o setor agroprecuário’’, disse o presidente.
Santos disse que ‘‘antes dessa situação, o país satisfazia grande parte de suas necessidades alimentares e exportava grandes quantidades de café, milho, algodão, sisal e banana’’. Além de dinheiro, a contribuição pode ser feita, segundo o presidente, através de apoio técnico e capacitação de profissionais angolanos.

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