Anestesiologistas podem deixar de atender o IPE
Anestesiologistas podem
deixar de atender o IPE
Médico acusa:
governo faz o
desconto e não
repassa dinheiro
Adriana Ribeiro
Revoltados com os atrasos de pagamentos, os médicos da Cooperativa Paranaense de Anestesiologistas (Copan) ameaçam suspender o atendimento aos beneficiários do Instituto de Previdência do Estado (IPE). De acordo com o presidente da Copan, Antônio Oliva Filho, os atrasos vêm acontecendo desde março deste ano e já somam uma dívida de R$ 249 mil.
Oliva explica que se o IPE não pagar, a cooperativa deverá marcar, nos próximos dias, uma assembléia para discutir de vez o problema. Uma das propostas que poderão ser adotadas é manter apenas atendimentos emergenciais e cancelar os demais, caso não haja pagamento pelos usuários. Sabemos que não podemos deixar de atender às necessidades dos pacientes, mas não achamos direito trabalharmos de graça, diz.
Ontem, a reportagem da Folhaprocurou o superintendente do IPE, Edson Fischer, mas ele não foi localizado. As explicações dadas aos médicos, segundo o presidente da Copan, é que os atrasos estão acontecendo porque o Executivo não está repassando a verba necessária, o que estaria descapitalizando o instituto.
Oliva diz que o contrato mantido entre a Copan e o IPE não está sendo cumprido. E quem está faltando com os funcionários públicos é o governo do Estado, acusa. Segundo ele, ao se analisar as informações prestadas pela superintendência do IPE, percebe-se que o governo não está repassando ao instituto os valores que desconta mensalmente do salário dos funcionários públicos. Esses descontos somam a renda que viabiliza o funcionamento do instituto.
Mesmo sem fazer o pagamento, o IPE continua liberando normalmente os atendimentos. Isso mostra que o instituto e o governo do Estado estão fazendo cortesia com o chapéu alheio, diz o presidente da Copan. A média de atendimentos prestados pela Copan ao IPE é de 800 a mil casos por mês, o que representa mensalmente R$ 100 mil a R$ 130 mil.
O valor não é alto, segundo Oliva, que diz que as despesas com anestesiologistas correspondem a cerca de 1,5% do total dos custos de qualquer convênio.
O contrato entre o IPE e a Copan existe desde 1982, quando a cooperativa foi criada. Hoje, praticamente todos os anestesiologistas do Paraná são cooperados, somando aproximadamente 355 profissionais. Ao longo dos 16 anos, os atrasos de pagamentos sempre foram normais no início do ano, devido à espera de repasse de verbas, segundo Oliva.





