Uma pesquisa publicada este mês na Revista Brasileira de Anestesiologia, da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, e realizada com 400 pacientes, constatou que apenas a metade sabia que o anestesiologista é médico (51,75%). A segunda formação mais citada é a de técnico (14%). O médico anestesiologista possui funções essenciais para o bom andamento da cirurgia e é sempre o primeiro a entrar e o último a sair da sala de cirurgia.
Ana Paula Ferreira Cinagava, 28 anos, teve de ser anestesiada quando foi submetida a uma cesariana. ''Eu tinha medo de ser anestesiada e não conseguir mais voltar'', revela. ''Algumas pessoas me falaram que a aplicação da anestesia doía, outras diziam o contrário e era difícil saber o que iria acontecer'', expõe. A jovem recebeu uma anestesia raquidiana e conta que não sentiu dor alguma.
O médico anestesista do Hospital Araucária e professor da Universidade Estadual de Londrina, Laerte Storti, defende que não há razões para tanta insegurança. ''Em 30 anos de profissão eu presenciei apenas dois casos de reação grave.''
Storti explica que o paciente é constantemente monitorado e caso haja qualquer problema o anestesiologista está capacitado para resolvê-los. ''As reações podem ser classificadas em leves, moderadas e graves e hoje a estrutura dos hospitais é boa, com todos os equipamentos disponíveis para reverter a situação'', garante Storti. ''Isso possibilita toda uma gama de dados para analisar a situação e tomar a decisão.''
As anestesias podem ser local, regional ou geral. Essa última normalmente é utilizada em cirurgias no abdômen superior, tórax, cabeça, pescoço, neurológicas ou cardíacas. Também é indicada em pacientes que possuem tendência a ficar inquietos ou traumatizados com a cirurgia. ''Na anestesia geral a transmissão dos impulsos nervosos é impedida. É como se tivesse desligado um fio, pois a dor não sobe para o cérebro'', relata Renato Fernandes, também médico anestesista do Hospital Araucária.
A anestesia local por bloqueio pode ser do tipo raquidiana, peridural ou periférica. ''Essas anestesias atuam em somente uma parte do corpo e são utilizadas geralmente para cirurgias de membros (braços e pernas) ou para a parte inferior do abdômen'', explica Fernandes.
As anestesias raquidiana e a peridural diferem pelo local onde é aplicada. Na raquidiana a aplicação é mais profunda. Além disso, com relação à quantidade, é maior na peridural. Storti expõe que os médicos podem associar dois tipos para um melhor benefício. ''É possível ter o controle da dor no pós-operatório, e a raquidiana e a peridural podem ter duração superior a 24 horas, tempo superior à aplicação endovenosa. Quando o paciente não tem dor no pós-operatório a recuperação é melhor e proporciona mais conforto.''

Imagem ilustrativa da imagem Anestesia: informação é fundamental