Ao contrário do que se diz, a anemia não é uma doença e sim o sintoma de uma carência vitamínica ou de uma síndrome hemolítica hereditária. A mais comum é a anemia carencial que pode aparecer pela ausência de ferro, vitamina B12 ou ácido fórico. Segundo o hematologista Roberto Franzin Coelho, a falta de ferro (ferropriva) atinge entre 30% e 50% da população.
Entre as hereditárias, a mais conhecida é a falsiforme e afeta, principalmente, os negros e seus descendentes, que significa 70% da população brasileira. Ela causa a deformação das hemácias (glóbulos vermelhos) que são destruídas pelo próprio organismo e o tratamento dura a vida toda. Este é o caso de Amanda Fernandes Silva, de 13 anos, que descobriu a doença com um ano. Segundo o pai, Ronaldo Fernandes Silva, ela tem em média cinco crises por ano, necessitando de internações.
Para se atualizar sobre o assunto, o comerciante assistiu ontem de manhã um debate realizado pelo 42º Congresso Médico de Londrina. Além de Coelho participaram da mesa redonda os médicos Luiz Gabriel Fernandez Turkowiski, Cristina Akemi Fuziki e Denise Akemi Mashima.
Uma pessoa pode ser anêmica e ter uma vida normal sem precisar tomar medicamentos ou modificar a dieta alimentar. Nos casos mais discretos ela só é identificada através de exames de sangue. Existem casos severos em que ela obriga o paciente a fazer transfusões de sangue constantes. Esse é o caso da talassemia major, uma doença hereditária rara no Brasil e muito comum em países que margeiam o mar Mediterrâneo (Itália e Grécia).
De acordo com Coelho, todos os tipos de anemia podem ser identificados por um hemograma, mas para identificar qual a doença que a provocou somente com exames mais específicos. As anemias carenciais normalmente são multifatoriais. Em crianças a falta de ferro está muito relacionada à alimentação. Já, nos adultos pode vir associada também a tratamentos de saúde como a quimioterapia ou ao excesso de fluído menstrual.

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