Londrina - Símbolo de status ou marca do ritual de passagem do estudante para o chefe de família? Compromisso com a sociedade ou pura ostentação? Os anéis de formatura, com origem eclesiástica, foram muito usados até o último milênio. Raros de notar nas mãos ocupadas dos dias atuais, eles começaram a cair em desuso, principalmente, a partir da década de 70. Mas, ainda assim é possível encontrar quem goste dessa tradição.
Em uma rápida busca pela internet, a reportagem da FOLHA encontrou a comunidade "Eu uso anel de formatura!", que conquistou 752 membros. Ali, pessoas de diferentes profissões e idades debatem, virtualmente, o significado do anel de formatura, quais os modelos mais bonitos e em que dedo é correto usá-lo.
O advogado Alvino Aparecido Filho, formado em 1982 pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), usa o anel de rubi em ocasiões especiais. Para ele, o anel tem um sentido afetivo. "Era comum usar anéis de formatura, então minha mãe me presenteou. Aquele momento foi de grande emoção na minha família", recordou-se o filho de um serventuário da Justiça, para quem o anel foi a concretização da responsabilidade que passaria a ter com a conquista da colação de grau.
O advogado comenta que vem de uma família ligada ao Poder Judiciário. "Comecei a trabalhar no cartório com meu pai aos oito anos de idade e, além do meu filho, que está no quarto ano de direito, tenho dois sobrinhos, uma prima, muitos na família seguem a mesma profissão", comentou.
Ele também pretende presentear o filho, Alvino Aparecido Neto, com um anel de rubi para transmitir a idéia da responsabilidade no exercício da profissão. "Eu não acho que o anel tem uma conotação elitista, desde que a pessoa saiba porque está usando o anel", acredita. "Para mim, o anel simboliza o compromisso social do advogado no exercício de sua atividade profissional."
Aparecido Filho acredita que, nos dias de hoje, há uma diminuição desse compromisso do advogado e defende: "é algo que tem que ser resgatado com exemplos que ajudaram a escrever a história da República, como Rui Barbosa e Clóvis Breviláqua".
O advogado André de Massi, formado pela UEL em 1998, usa seu anel todos os dias. "É meu objeto de estimação, só tiro do dedo para tomar banho ou praticar esportes. Virou parte do meu vestuário diário", contou.
"Ele desperta a curiosidade das pessoas, muitas elogiam", garantiu o advogado. "Eu ganhei da minha madrinha no dia da minha formatura, foi confeccionado especialmente para mim", orgulha-se. Para ele, o anel agrega um sentimento de sucesso e sorte na profissão.
Para o professor e coordenador do Departamento de História da UEL e doutor em história das religiões, Marco Antonio Soares, o fato de haver ainda pequenos grupos que defendam o uso do anel, isso não significa um resgate à simbologia que o adorno tinha em outros tempos. "Quando se observa o uso do anel, o valor é sentimental", resumiu.

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