Apenas na próxima segunda-feira, a Delegacia de Homícidio pretende enviar ao Instituto Médico Legal as amostras dos três frascos de Androcur tomados pelo aposentado Teodoro de Lima, que morreu anteontem com suspeita de ter usar um lote fraudado do produto no tratamento contra câncer de próstata. Teodoro teria ingerido Androcur do lote falso 351 e, também, de um lote normal, 278. Com base no exame do produto encontrado e na necrópsia no aposentado, a polícia poderá descobrir se a morte foi abreviada pela ausência de princípio ativo no medicamento. A previsão é que o IML divulgue o resultado em 15 dias.
Segundo o promotor Arion Rolim Pereira, com base nos resultados apurados, poderá se processar ou o Hospital de Clínicas, que forneceu o produto a Teodoro e outros 89 pacientes, ou o fabricante, Schering do Brasil, o mesmo que produz o anticoncepcional Microvlar, retido em todo o País. ‘‘Da mesma forma, se as investigações indicarem que é um caso de âmbito federal, isso pode passar para a Procuradoria da República’’, diz.
Histeria - O Sindicato das Farmácias do Paraná (Sindifarma) quer que o Ministério da Saúde realize uma campanha nacional para esclarecer a população quanto a fraude de medicamentos. Segundo o presidente do Sindifarma, David Guntowski, está acontecendo uma histeria no mercado, com o consumidor suspeitando de todos os medicamentos vendidos. ‘‘Têm clientes ameaçando chamar a polícia quando o remédio não apresenta resultado imediato’’, informa, afirmando que existem produtos cuja eficiência é de 70%.
Ontem, o presidente do Conselho Regional de Farmácias do Paraná, José Passos Neto, divulgou uma nota acusando as grandes redes de farmácias de serem mais suscetíveis à compra de produtos fraudados, por causa da proximidade que têm com as distribuidoras. ‘‘Acho isto um exagero. Mas entendo que o cuidado com as pequenas farmácias é melhor, já que o proprietário e o farmacêutico responsável lidam diretamente com o medicamento, podendo identificar qualquer irregularidade’’, avalia Guntowski.

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