Andirá inaugura 'delegacia' da mulher
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terça-feira, 09 de maio de 2000
Edna Mendes Enviada a Andirá 
O Centro de Atendimento à Mulher e à Família (Camuf), inaugurado anteontem à noite na Delegacia de Andirá (36 km a oeste de Jacarezinho), promete facilitar o acesso à polícia principalmente de mulheres vítimas de violência. Com assistência mais ampla do que uma delegacia especializada, o centro também tem o objetivo de ressocializar os detentos. Este é o primeiro órgão do gênero no Norte Pioneiro.
O prefeito Celso Tozzi (PMDB), o delegado-chefe da Subdivisão Regional Arnaldo Abujanra e autoridades locais prestigiaram a inauguração. Anexo à delegacia, prédio foi construído e equipado, inclusive com computador, através de doações da comunidade e prefeitura. Dez detentos levaram quatro meses para concluir a obra. A fachada e as grades foram pintadas em três cores para diferenciar das delegacias comuns.
Temos certeza que aqui nenhuma mulher vai sentir como se estivesse numa delegacia. O ambiente é agradável e foi preparado para que as mulheres e as famílias se sintam bem, explicou o delegado Mário Sérgio Bradock Zachesck, responsável pelo projeto.
Bradock ressaltou que Andirá apresenta alto índice de violência contra a mulher. Aqui não é diferente de outras regiões, mas o importante é tentar encontrar alguma forma de combater essa violência. Acredito que o centro vai contribuir para que a violência diminua ainda mais.
O Camuf vai oferecer atendimento médico, psicológico e de assistência social. Os detentos que integram o projeto aqueles que ajudaram na implantação do centro também vão ter palestras e aulas. Para esses presos foi construído um quarto amplo com banheiro, beliches com colchões novos e guarda-roupas. Periodicamente outros presos são analisados e reciclados para integrar o projeto. Quem já participam do projeto anda livremente pela delegacia, que tem atualmente 35 presos.
O detento Álvaro José da Silva, 46 anos, acusado de sequestro e que já cumpriu pena de 20 anos por homicídio, disse que já passou por diversas cadeias e que esta é a primeira vez que tem expectativas de se ressocializar. Eu já estive nos piores presídios de São Paulo e esta é a primeira vez que não me sinto em uma cadeia. Aqui a polícia está acreditando que somos capazes de voltarmos a viver em comunidade e está nos dando essa oportunidade.
A segunda etapa do projeto já começa a ser implantada. Nos fundos da delegacia, os presos estão construindo um barracão onde será montada uma oficina para restauração de móveis, serigrafia, refeitório, cozinha e uma loja que será aberta à comunidade onde os detentos vão comercializar todo o tipo de artesanato que produzirem. A delegacia já tem duas máquinas de serigrafia. Este é o segundo Centro de Atendimento à Mulher e à Família que o delegado implanta no Estado. O primeiro foi em Rio Negro, há dois anos.


