Andes discute em Curitiba a autonomia universitária
Maigue Gueths
De Curitiba
Como garantir a autonomia das universidades e democratizar o acesso ao ensino superior, aumentando, inclusive, as vagas em instituições públicas e gratuitas são os dois temas que devem causar maior polêmica no 39º Conselho Nacional das Associações de Docentes (Conad) da Andes-SN (Associação Nacional dos Docentes em Ensino Superior Sindicato Nacional), que reúne até domingo, em Curitiba, representantes das 52 universidades federais do País.
As reuniões do Conad, realizadas duas vezes por ano, têm objetivo de avaliar e encaminhar as políticas aprovadas nos congressos da categoria, realizados anualmente. No final do Conad, deve ser aprovado um documento com teses que irão preparar o próximo evento, a ser realizado em fevereiro em Juiz de Fora (MG).
Na questão da autonomia universitária, os professores estão divididos. A maioria acha que não é necessária a criação de uma lei que regulamente o exercício da autonomia universitária. Outros, assim como a atual direção da Andes, defendem a regulamentação através de um projeto de lei a ser enviado para o Congresso Nacional. Nós precisamos regulamentar essa reflexão de mais de 20 anos sobre a universidade, diz Emmanuel Appel, presidente da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (Apufpr).
Para o presidente da Andes, Renato de Oliveira, a universidade pública tem a incumbência de fomentar um pensamento e uma cultura nacionais, ambos em crise no Brasil atual. O problema é que a elite, que antes formava-se em Coimbra, hoje forma-se em Harward, e não vê o Brasil com olhos brasileiros, mas com olhos de fora e cada vez entendem menos o seu País, diz.
Para ele, as universidades só vão cumprir seu papel se tiverem condições de se democratizar. Para isso, é preciso multiplicar o número de vagas e dar melhores garantias profissionais aos docentes, com melhores salários, carreira com estabilidade e garantia de Previdência. Hoje, segundo ele, de cada 100 jovens entre 18 e 24 anos apenas oito estão em universidades no Brasil, contra 60 no Canadá. O déficit de vagas nas faculdades pode ser sentido pelos números do ano passado: 1,7 milhão de jovens formaram-se no ensino médio, e havia apenas 700 mil vagas ofertadas pelas universidades. Ou seja, havia um déficit de 1 milhão de vagas.
O Secretário de Estado da Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul e presidente do Fórum Nacional de Secretários, Adão Villaverde, acredita que a proposta de autonomia apresentada recentemente pelo Ministério da Educação, a qual previa que as universidades se responsabilizassem pela arrecadação de recursos, é a prova de que o governo federal quer se desencumbir da responsabilidade da educação, passando o ensino superior para o setor privado.
Villaverde defende, ainda, a necessidade de se estabelecer uma política nacional de ciências e tecnologia, que contemple as igualdades e diferenças regionais. Para isso, ele reclama por mais recursos federais para o setor, que passou de R$ 1,5 bilhão em 1995 para R$ 850 mil previstos para 2000.





