Foi uma dessas ''coincidências'' de deixar todo mundo boquiaberto que levou o encarregado Anderson Spondor, 18 anos, a estar no lugar errado, na hora errada. Na noite de segunda-feira, ele teve o braço amputado por uma centrífuga de roupas quando trabalhava na empresa Diplomata (antiga Comaves), na Zona Leste de Londrina. Anderson havia trocado de horário para cobrir a viagem de um funcionário, durante cinco dias. O colega retornaria ontem.
Com uma serenidade incomum, o jovem recebeu a reportagem da FOLHA ontem, em uma enfermaria do Hospital Universitário (HU), e contou sua história - em parte o que recordava, e de resto o que lhe relataram. ''Tenho lembranças de meia hora antes do acidente, quando eu conversava com uma colega, e depois só quando acordei na UTI'', avisou.
Funcionário de uma lavanderia terceirizada, que prestava serviços para a indústria londrinense, Anderson estava próximo a uma centrífuga de roupas quando uma calça se soltou e enroscou em seu braço. ''Falaram que eu fiz tanta força para me soltar que arranquei os 12 pinos de concreto (que prendiam a máquina no chão). Se fosse alguém menor, mais fraco, teria sido sugado pela centrífuga e provavelmente morrido'', imaginou.
O rapaz observou que a máquina não tinha tampa e que era normal peças de roupa se soltarem. Mesmo assim, disse não acreditar que o acidente pudesse ter sido evitado. ''Eu era o mais experiente do setor'', afirmou o encarregado, que tinha 6 meses de trabalho.
Anderson é contratado da empresa Lavebras, com sede em sua cidade natal: Videiras, em Santa Catarina. Ele veio trabalhar em Londrina com planos de fixar morada aqui, mas antes do acidente já decidira retornar. ''Gostei da cidade, mas não me encaixei muito bem'', comentou. Agora, o jovem pretende terminar um curso de informática e fazer faculdade, ''de Direito ou algo assim''.
Se está com medo do futuro? ''Não, o que tinha que acontecer, já foi. Sempre fui brincalhão, alegre, e isso não acaba aqui'', garantiu o rapaz. No momento em que se despedia da reportagem, seu pai chegou de Santa Catarina para vê-lo pela primeira vez após o acidente. O reencontro foi coroado com um abraço emocionado, mas ainda sereno.

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