Andarilhos resistem a tratamento
''A tuberculose não é reemergente no Brasil. Na verdade, a doença nunca foi erradicada'', afirma Vânia Mello, docente da Universidade Filadélfia (Unifil) de Londrina na área de pneumologia. Segundo Vânia, muitos profissionais de saúde deixam de diagnosticar a doença por achar que ela não existe mais.
O próprio governo federal subestimou a tuberculose. Durante o governo Fernando Collor (1989-2002), o programa de combate à doença foi extinto, sendo retomado anos depois. ''Essa atitude deu uma quebra no tratamento da doença no País'', assinala. Hoje, já existem campanhas e distribuição gratuita de medicamentos.
O combate esbarra, contudo, na resistência de um dos grupos mais afetados pela tuberculose: os moradores de rua. Segundo o professor da UEL Olavo Franco Ferreira Filho, um grande número de andarilhos morre devido à doença, por não buscar ajuda ou abandonar o tratamento.
Não se tratar e colocar em risco a saúde de outras pessoas é considerado crime, passível de prisão. Em maio deste ano, uma jovem de 24 anos foi presa e obrigada a fazer tratamento para tuberculose sob escolta policial no Hospital Universitário (HU) de Londrina.
Os artigos 131 e 132 do Código Penal prevêem pena de 1 a 4 anos de reclusão para o perigo de contágio de doença infecto-contagiosa grave a terceiros, e para o risco à saúde e à vida de outras pessoas. (V.N.)





