O que os moradores da Vila Recreio, área central de Londrina, alertavam há meses aconteceu ontem: um assassinato no mocó da Avenida Duque de Caxias, um antigo armazém abandonado há vários anos. A autorização para demolir o prédio foi solicitada em novembro do ano passado, mas ainda está emperrada na Justiça.
O desempregado e andarilho Marcelo da Silva Santos, 27 anos, foi morto com quatro tiros, por volta da 1h30 de ontem. Segundo outros moradores do mocó, dois homens armados desceram de um santana azul escuro e, sem motivo aparente, atiraram em Santos. ''Mesmo depois de caído, ele levou dois tiros no peito. Os caras ainda ameaçaram a gente. Talvez eu seja o próximo'', disse o catador de papel conhecido como ''Cientista'', lembrando que no local moram oito sem-teto.
De acordo com o superintendente da 10Subdivisão Policial, Miguel Domingues, a vítima tinha várias passagens pela polícia desde 1993 (quando ainda era menor) e havia saído há poucos dias da cadeia. ''Na ficha dele constam roubos, furtos, extorsão, entre outros delitos. O Marcelo estava preso na Casa de Custódia de Londrina até esses dias'', explicou.
Além de elevar o número de homicídios para seis desde o início do ano, a morte de Santos reacende a polêmica sobre a destruição de mocós pela prefeitura. Além de serem insalubres e servirem com foco de proliferação de doenças, os locais abandonados servem de abrigo para adolescentes e adultos usuários de drogas.
Ontem, funcionários da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) capinavam e retiravam entulhos do terreno. A assessoria da CMTU informou que a atividade não tem relação com o homicídio e estava prevista dentro de uma ''agenda normal de trabalho''.
A Prefeitura de Londrina tenta, judicialmente, autorização para derrubar o prédio abandonado. A medida cautelar com pedido de liminar para demolição do imóvel às custas do proprietário foi apresentada pelo procurador-geral do Município, Carlos Roberto Scalassara, em 14 de novembro do ano passado, e tramita na 8 Vara Cível. A sentença judicial ainda não saiu.
O proprietário do terreno, segundo consta na Certidão de Registro de Imóveis (CRI), é o empresário Ariovaldo Ferraz de Arruda. Mas, após ter sido notificado judicialmente (no dia 14 de outubro), informou que teria alienado o terreno a terceiros e não saberia informar sobre a não-regularização da documentação. A Folha tentou entrar em contato com o advogado de Ariovaldo, Jeferson do Carmo Assis, mas ele não retornou à ligação.

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