Campo Mourão – Andar pelas calçadas de Campo Mourão sempre foi problemático. São bicicletas estacionadas, materiais de construção depositados, raízes de árvores que quebram o cimento, produtos do comércio em exposição, placas de propaganda bem no meio da passagem dos pedestres e outros obstáculo que só vendo para acreditar.
Acontece que nos últimos tempos, mais do que nunca, as calçadas de Campo Mourão começaram a ganhar não só estilos, mas cores diferentes. Isso mesmo: começaram a pintar as calçadas da área central com cores berrantes. A cada comércio é uma cor diferente. Às vezes dói os olhos. Outras vezes dói o estômago mesmo, com tamanho mau gosto. Mas não há como fugir das calçadas multi-coloridas.
Até o preto e branco do petit-pavé, que a prefeitura tentou tornar padrão há 10 anos, não existe mais. Como o branco da calçada encardiu rapidamente devido à terra vermelha que tanto orgulha nossa gente, inventaram de pintar as pedrinhas das calçadas. E não é que a moda pegou? Em apenas uma quadra da área central tem petit-pavé pintado de verde e preto e de vermelho e preto. A sujeira não aparece tanto, mas o gosto e a poluição visual...
Além da pintura, a falta de padronização das calçadas chama a atenção mesmo dos mais distraídos. Parece que cada proprietário faz como quer e fica por isso mesmo. Em frente à Câmara de Vereadores, por exemplo, colocaram uma camada de cimento bruto sobre o petit-pavé. Além de feia, a calçada ficou em um nível mais elevado. Até o meio-fio ficou mais alto. Casos assim são comuns em todas as quadras.
As calçadas também pecam mesmo quando há boa intenção dos moradores e dos comerciantes. É o caso das rampas de acesso para os deficientes físicos. As rampas, que deveriam ter a declividade da porta do estabecimento para dentro, estão da porta para fora. Resultado: se tornaram mais uma barreira para quem anda pelas calçadas. Como passar com uma cadeira de rodas se existe uma rampa atravessada na frente?
Isso tudo sem contar um outro problema clássico: a falta de nível das calçadas. Em pleno calçadão há verdadeiros ‘‘morros’’ porque o dono do prédio não quis perder o espaço da loja construindo degraus em sua porta. Nem é preciso ser deficiente físico e depender de uma cadeira de rodas para sentir o drama. Basta sair pelas ruas empurrando (ou tentando empurrar) um carrinho de bebê.
Leis que regulamentam os passeios públicos não faltam. Falta, sim, consciência da população e uma fiscalização mais rigorosa. As calçadas são públicas, existem para o bem estar da população e não para satisfazer as vontades do dono do imóvel da frente. Providências são necessárias. Antes que tomem dos pedestres também o meio-fio...

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