Análises do IAP mostram que Lago Igapó segue poluído
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terça-feira, 19 de novembro de 2002
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) divulgou, ontem, os dados de mais uma análise da água do Lago Igapó, em Londrina, que apontam para a conclusão já esperada: o espaço, um dos cartões postais da cidade, segue impróprio para banho. O estudo foi feito a partir de cinco coletas de água, realizadas em dias diferentes nos meses de outubro e novembro, em cinco pontos-chave do lago a barragem, o teatro do lago, a ponte da Avenida Higienópolis, a região do Corpo de Bombeiros e a ponte do barquinho.
Segundo Gelsy Gonçalves, bioquímica do IAP, três destes pontos se mostraram impróprios para banho devido a contaminação e os outros dois devido ao pH da água. ''O máximo permitido de coliformes fecais é de 1 mil por 100 mL. E, segundo determinação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o pH da água deve estar entre 6 e 9'', explica a cientista.
Na amostragem colhida no último dia 11, a água da região da barragem apresentou pH 9,10 e 50 coliformes fecais por 100 mL. No teatro do lago, o pH encontrado também foi de 9,10, enquanto os coliformes eram 130 para cada 100 mL. Nos outros três pontos, o problema se inverteu na ponte da Higienópolis, o pH apresentado foi 8,20, mas os coliformes fecais eram 9 mil em cada 100 mL, nove vezes acima da quantia tolerada.
Na região do Corpo de Bombeiros, a água tinha pH 8,80 e 11 mil coliformes fecais por 100 mL, enquanto a ponte do parquinho apresentou o maior índice de contaminação, 16 mil coliformes em 100 mL, com pH 7,20. Segundo Gelsy, o estudo que conclui se a água é própria para banho ou não é feita a partir de uma comparação entre as cinco amostras colhidas. No total, 80% das amostragens (quatro em cada cinco) têm que apresentar coliformes fecais até 1 mil por 100 mL e pH entre 6 e 9 para determinada região do lago ser considerada adequada. Na média, os resultados totais não diferiram muito dos dados colhidos no dia 11.
''No caso das áreas com pH acima de 9, no Igapó I, o motivo que cogitamos é a floração de algas. O IAP de Curitiba está fazendo um estudo sobre isso, mas o resultado oficial ainda não foi apresentado. No caso das regiões dos lagos II, III e IV, o motivo para a alta contaminação ainda é o lançamento clandestino de esgoto'', explica Gelsy Gonçalves.
De acordo com o chefe regional do IAP em Londrina, Andrew Pinheiro Neto, o instituto pretende colocar novas placas nos cinco pontos visitados para alertar a população sobre as más condições da água. ''Infelizmente, muitas das placas que colocamos foram depredadas, apenas em dois pontos elas ainda estão de pé. A população precisa ter mais respeito com isso'', reclama Pinheiro Neto.


