Análise no Igapó aponta locais contaminados
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP)®MD77¯ ®MDNM¯divulgou ontem o resultado de análise físico-química e bacteriológica de amostras de água coletadas em vários pontos dos quatro lagos que formam o complexo Igapó em Londrina. Em três dos cerca de 10 locais analisados o resultado apontou qualidade boa para banho: a barragem e o teatro, no Igapó I, e a ponte da Avenida Higienópolis, que divide os lagos I e II. Nos outros pontos, a água se mostrou imprópria para este tipo de lazer.
As coletas foram feitas em cinco dias diferentes, sendo a última no domingo passado. A intenção é que daqui para frente, até o final do verão, as análises sejam feitas semanalmente, com o objetivo de alertar a população sobre os pontos de maior perigo. Em outubro, a Folha mostrou em reportagem que desde 2004 a água dos lagos não era submetida a análise. Segundo o chefe regional do IAP, Ney Paulo, um convênio existente anteriormente com o município venceu e o instituto não havia sido procurado para a renovação.
Ney Paulo ressaltou que os resultados do monitoramento não são conclusivos. ''Determinado local que um dia apresenta balneabilidade, no outro já pode apontar qualidade ruim. Tudo depende do que está sendo despejado na água no dia da análise'', observou. Entre as causas de contaminação dos lagos estão os esgotos clandestinos e a sujeira que é levada das ruas do Centro da cidade nos dias de chuva. Por isso, segundo o chefe do IAP, em dias chuvosos a qualidade da água tende a piorar.
''A população precisa se conscientizar que o Igapó é apenas um lago ornamental, não foi feito para nadar. Quem o utiliza para este fim deve saber que corre risco de afogamentos e de contrair doenças'', afirmou Ney Paulo. Segundo o Corpo de Bombeiros, no meio da barragem a profundidade chega a uns seis metros. A área é bastante irregular e afunda de repente, o que, somado à água escura, aumenta o perigo.
Ontem funcionários da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) instalaram 15 placas às margens dos lagos com a frase ''Proibido Nadar''. Mas a medida não espantou os muitos frequentadores do local. Por volta das 16 horas, dezenas de crianças, adolescentes e adultos transformavam o local em uma grande piscina.
''Sei que é proibido, mas a gente não tem outro jeito de espantar o calor. Acho que não tem perigo, porque venho aqui há muito tempo e nunca tive problema de saúde. É só chegar em casa e tomar banho'', afirmou a diarista Sonia Maria de Souza, 57 anos, moradora do Parque Ouro Branco (Zona Sul), enquanto brincava na água com a neta de sete anos. ''Ela que fica pedindo para eu vir.''
O mesmo argumento da falta de opção de lazer foi usado pelo catador de papel Adriano Gomes de Oliveira, 20 anos, que também ignorava a placa de alerta instalada a poucos metros. ''Venho sempre aqui com os amigos'', revelou o morador do Jardim Santa Fé (Zona Leste).





