Decifrar a personalidade de uma pessoa por meio da análise da escrita dela. Essa é a missão da grafologia, tema de estudo de Ninger Ovidio Marena, museólogo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) há cerca de 30 anos. "Na escrita você tem a pessoa por inteiro", garante. Ele conta que se interessou pelo assunto quando estudava a ata de Constituição do Estado do Paraná. Com o tempo, estava analisando a autenticidade de documentos e contratos. "É impossível copiar a sua assinatura, porque cada pessoa é única", afirma.
O estudo da escrita, aponta, leva em consideração a pressão que a pessoa exerce no papel, a velocidade com que ela escreve e a forma da escrita. Pela letra é possível dizer se a pessoa é tímida ou extrovertida, se tem tendências depressivas ou é problemática. "Dá para falar de tendências da personalidade, afinal estamos mudando a todo momento. Mas o fundamental no ato de escrever é que o cérebro está funcionando e usando a grafoterapia é possível mudar muita coisa dentro de mim, mudando as funções do cérebro", revela.
Ele recorda da história de uma mulher que mudou de vida depois de alterar a forma como escrevia. "A letra era de uma pessoa problemática. Conversando com ela, me disse que quando escrevia com calma a escrita era diferente. A análise desta letra mostrava outro traço de personalidade. A mulher disse que gostava mais desta outra letra e ia trabalhar para escrever sempre assim. Anos depois, a encontrei e ela me disse que após se dedicar a melhorar a letra seus problemas se resolveram."
No Brasil, os estudiosos de grafologia são autodidatas, mas, segundo Marena, em países como a Argentina o método já é levado mais a sério e conta com várias publicações na área. O museólogo pretende lançar um livro sobre a importância do ato de escrever e do uso do caderno de caligrafia nas escolas.
Marena enfatiza que quando o professor ensina o aluno a escrever no caderno de caligrafia, ele está formando o caráter desta criança e promovendo o equilíbrio e a atenção. "Você precisa de concentração para escrever no caderno de caligrafia e isso aciona a atividade cerebral", explica. Por isso, para ele o uso da grafologia pode ser uma importante ferramenta da psicologia.

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