Anália Franco adota novos pais para os órfãos
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sábado, 06 de setembro de 1997
Londrina 
César AugustoRefúgioO Lar Anália Franco atende hoje 360 crianças e adolescentes: maioria mora com a família e frequenta a entidade apenas como creche, escola, oficina ou mesmo para se divertirCom muito trabalho é possível superar qualquer dificuldade, mesmo a tão temida falta de recursos. Quem afirma é o diretor do Lar Anália Franco, Pedro Cândido Romero, que há 28 anos preside a entidade. Se não tiver dificuldades, a gente encosta o corpo e não luta.
O Anália Franco foi inaugurado em novembro de 1963, no mesmo prédio que funciona hoje, no bairro Aeroporto (zona leste), a poucas quadras da Casa do Caminho. O nome foi dado em homenagem a sra. Anália Franco, espírita e humanitária paulistana. Hoje, a instituição atende aproximadamente 360 garotos e garotas, entre zero e 18 anos, que podem estudar no local - berçário, maternal, jardim e pré-escola -, fazer as refeições, aprender datilografia, a função de auxiliar de escritório e, a partir de agora, também vão poder cursar informática - os computadores foram doados pela comunidade.
Com 28 funcionários registrados (além dos voluntários, que normalmente não recebem nada) e uma despesa mensal que gira em torno dos R$ 30 mil, o lar só tem uma ajuda fixa da prefeitura de Londrina - que paga o salário de aproximadamente 15 pessoas. O restante tem que tirar água de pedra, costuma dizer Romero. Além das doações em dinheiro que a instituição recebe, através de carnês, são várias as promoções feitas pelo lar, uma atrás da outra, como bingos, rifas, campanha do sorvete, do boné, do bebê do ano, da boneca viva etc. O mês que não tiver campanhas é porque nós estamos dormindo! Então não dá para parar, acrescenta Romero.
César AugustoMilagreCom despesas mensais de R$ 30 mil, o Anália Franco tem garantido só o salário de 15 funcionários, pagos pelo município: grosso da arrecadação vem de promoções e doações
O Anália Franco também tem setor de reciclagem de lixo urbano, que é separado e vendido. Sem contar as doações: móveis, roupas, eletrodomésticos, calçados. O que não for aproveitado no próprio lar, é recuperado (se estiver danificado) e também vendido. A gente realmente ganha muita coisa, aponta Romero.
O administrador do Anália Franco lembra que a origem das crianças atendidas pela instituição é sempre de famílias muito pobres e desestruturadas, não raro com pai alcoólatra e mãe prostituta. A maioria delas, porém, vive com os pais nas próprias casas: nestes casos, a entidade funciona como creche, de acordo com a faixa etária.
Já as crianças órfãs moram em sete casas-lares, localizadas próximas ao prédio da sede. Uma das casas também funciona como apoio para receber crianças encaminhadas pelo Conselho Tutelar e Fórum. Há vinte e tantos anos eu via os salões grandes da sede, com todo mundo junto, e pensei: isso aqui é um depósito, não uma casa para antender criança. Então resolvi inverter: ao invés de ter criança órfã, vou adotar pai e mãe, explica Romero, sobre o começo das casas-abrigo em Londrina.
Muitas crianças se sentem menor se morassem em lar. Mas agora cada uma tem a sua casa e vem aqui para sentir prazer, porque gosta, aponta. Hoje, cada uma das sete casas-abrigo tem um casal adotado, dos laristas, e mais dez crianças, aproximadamente, entre os filhos do casal e os que são do lar. Todos vivem na residência sem distinção.
É o caso da residência de Luiz Carlos dos Santos, que mora com a esposa e mais 19 crianças (três são seus próprios filhos). É a maior casa-abrigo da entidade. A gente acostuma a viver assim e depois não quer mais mudar. É muito bom, assegura Santos. Ele ficou sete anos morando e administrando uma casa-abrigo do lar, mudou mas não conseguiu ficar muito tempo longe: há um ano e meio resolveu voltar.
Na sede, atualmente, não dorme ninguém. O local, que compreende uma área total de 34 mil metros quadrados, serve como estrutura administrativa e também escola, com as diversas salas de aula, biblioteca laboratórios e refeitórios. Sem contar parque infantil, oficinas e também uma grande horta comunitária.
O grande problema do Anália Franco, no entanto, é com a conservação do prédio principal, que apresenta rachaduras em diversos pontos e a pintura está vencida há muito tempo. Dois anos atrás foi feito um cálculo sobre qual seria o custo de uma reforma: R$ 176 mil. Por isso, muitas promoções - como a última rifa de carros e motocicletas, que rendeu R$ 22 mil líquidos - estão sendo direcionadas somente para a reforma do prédio.


