Áureo Nogueira
‘‘As prostitutas vêm para a rua e em vez de trabalhar honestamente roubam os clientes, fazendo ameaças de chamar a Polícia ou contar para suas esposas. As vítimas preferidas são os velhos’’, denuncia a prostituta Ana R.S., de 33 anos, que atua na Avenida Leste-Oeste, na área central de Londrina. ‘‘A existência de muitas meninas assim atrapalha a vida da gente. Além de preferirem as novinhas, os homens acabam fugindo porque foram roubados’’, argumenta a prostituta.
De acordo com Ana R.S., há menores se prostituindo não somente nos pontos tradicionais de trotoir na área central. Elas estão também nos bairros. ‘‘Com a crise, as meninas não conseguem emprego; muitas vezes o pai também está desempregado e elas acabam se prostituindo’’, detalha, reiterando que o problema maior é que na necessidade de ganhar dinheiro, as menores acabam roubando ou extorquindo clientes. ‘‘Não há quem aguente uma concorrência desta: além de serem as preferidas, com o roubo as meninas afugentam os clientes.
A Folha constatou que há até meninas de outras cidades da região se prostituindo nas ruas de Londrina. Nesta semana, a reportagem localizou duas menores de Apucarana. Elas vêm de carona e fazem ponto na Via Expressa, nas proximidades da rodoviária. ‘‘A gente vem para Londrina porque a cidade é maior, além disso, em Apucarana nós somos meninas de família’’, disse Maria A.S., que parece não ter mais do que 16 anos, mas afirma ter 18.
Maria estava acompanhada de Cristina P.S., que assegurou ter 16 anos, mas que não deve passar dos 14. ‘‘A gente vem à tarde e volta pela manhã, também de carona. Descansa no dia seguinte e volta para Londrina no outro’’, revelou Cristina. Ambas disseram que fazem quatro ou cinco programas por noite, ganhando entre R$ 80,00 e 100,00.
Cristina e Maria disseram que estudaram até a 5ª série e vivem com a família na periferia de Apucarana. Maria não tem pai. Apenas mãe e três irmãos, o maior de 25 anos e o menor de 7. Cristina não tem mãe. Somente o pai e dois irmãos, de 25 e 15 anos.
O pai de Cristina é aposentado e a mãe de Maria, empregada doméstica. ‘‘Viemos para a rua porque precisávamos de dinheiro. Uma amiga disse que poderíamos ganhar muito mais do que como doméstica’’, disse Maria. Ela confessou que a família não sabe que ela se prostitui. A mesma história foi contada por Cristina.
‘‘Quando perguntam onde passei a noite digo que estava na casa de uma amiga’’, acrescenta Cristina. ‘‘Acho que eles desconfiam de tudo, porque a gente ajuda em casa com dinheiro’’, emenda Maria.
Há seis meses na prostituição em Londrina, elas disseram que não têm medo, nem da eventual violência de clientes nem da polícia. ‘‘Até hoje não tivemos problema nenhum’’, disse Maria, referindo-se à repressão policial e à perversão sexual dos clientes.
Sobre a preocupação com as doenças sexualmente transmissíveis e o futuro, Maria e Cristina disseram que tomam cuidado. ‘‘Só transamos de camisinha’’, garantiu Maria, mas não dispunha do preservativo.

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