‘‘É verdade que boa parte dos pacientes que procuram os prontos-socorros dos hospitais é formada por pacientes que não necessitam de atendimento de emergência ou urgência, o que colabora na superlotação e queda na qualidade do atendimento. Mas isto não ocorre em consequência da falta de estrutura e de bom atendimento médicos na rede de saúde pública municipal. A preferência das pessoas pelos grandes hospitais é uma questão cultural, que foi sendo formada ao longo das últimas décadas’’. Esta é parte da resposta da diretora executiva e superintendente interina da Autarquia Municipal de Saúde (AMS), Célia Regina Gil, aos diretores de hospitais públicos, filantrópicos e privados de Londrina.
Às voltas com a crônica superlotação dos prontos-socorros (PS), ambulatórios e alas de internação, nas últimos dias os diretores do Hospital Universitário (HU), Santa Casa e Hospital Evangélico (HE) - os três maiores da Cidade - passaram a criticar a falta de uma política de maior e melhor atendimento dos pacientes nos postos municipais de saúde e nos dois hospitais estaduais secundários, localizados nas zonas sul e norte. Eles alegam que entre 50% e 70% dos atendimentos realizados são de pessoas que não necessitam de atendimento urgente e que, portanto, deveriam receber tratamento ambulatorial simples naquelas unidades, antes de irem congestionar os PS dos hospitais maiores.
‘‘Estamos sofrendo as consequências de uma política federal que, nas décadas de 60 e 70, financiou o modelo centrado na assistência médico-hospitalar. As pessoas passaram a acreditar que o bom é ir ao hospital - quanto maior, melhor -, onde o médico pede um monte de exames laboratoriais e enche o paciente de remédios’’, conta Célia Gil. ‘‘Só no final dos anos 80 e na década de 90 é que esta idéia começou a perder força, com a proposta de descentralização do atendimento e a inversão de valores a partir do SUS e da municipalização do atendimento. Mas mudar o imaginário popular, que faz parte da nossa cultura, levará muito mais tempo. Isto não significa, como estão fazendo supor, que Londrina não tenha uma boa rede de saúde pública, apesar dos poucos recursos disponíveis’’.
A diretora executiva da AMS explica para onde vão os cerca de R$ 3.600.000,00 enviados mensalmente a Londrina pelo SUS: 48% para os grandes hospitais - HU, Santa Casa e HE -, 4% para os hospitais das zonas norte e sul, 37% para outros prestadores - Instituto do Câncer, Hospital Ortopédico etc. - e apenas 9% para a AMS. A autarquia mantém 52 postos de saúde, onde trabalham 201 médicos, 68 dentistas e perto de 500 auxiliares. Mensalmente, eles atendem cerca de 280 mil pessoas.

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