A Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público e representantes de organizações não-governamentais (ONGs) estão propondo a criação de uma consultoria independente para analisar o Estudo de Impacto Ambiental do Relatório de Impactos ao Meio Ambiente (EIA-Rima) da Repotencialização da Usina Termelétrica de Figueira (125 km ao Sul de Jacarezinho).
A intenção é que a consultoria verifique ‘in loco’ as alternativas propostas pela Copel para diminuir os problemas que poderão ser gerados ao meio ambiente e à saúde dos trabalhadores e moradores da região com a implantação da usina que começará a operar com carvão mineral.
‘‘Se eles são tão transparentes como dizem, não irão se incomodar com nossa presença no local’’, destacou a presidente da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), Lídia Lucaski. A preocupação é com a produção de poluentes.
A queima do carvão libera óxidos de enxofre. Dependendo da concentração, ela pode ser responsável por chuvas ácidas e redução da visibilidade. Também são liberados diversos gases, inclusive metais pesados, como o cobalto, cromo, flúor, mercúrio, chumbo e níquel, entre outros.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde demonstram que mesmo antes do funcionamento de uma unidade termelétrica com carvão, a população de Figueira já tem sofrido com insuficiência cardíaca, crise asmática e doença pulmonar obstrutiva crônica. ‘‘Imagine, isso apenas com a termelétrica atual, que está no local. Com outra unidade, a tendência é piorar’’, destacou Ziole Zanotto Malhadas, coordenadora do projeto ProAr do Núcleo Interdisciplinar do Meio Ambiente e Desenvolvimento (Nimad) da Universidade Federal do Paraná.
As consequências para a agricultura também preocupa o grupo. O diretor de tecnologia do Sindicato de Técnicos Agrícolas do Paraná, João Teixeira da Cruz, disse que a chuva ácida pode danificar as pastagens, o processo de reflorestamento de Figueira e a agricultura de subsistência. ‘‘Temos que buscar a sustentabilidade e esse Rima não traz isso. É apenas um documento que homologa o empreendimento. Temos que ser francos e realistas nos dados locais e regionais’’, afirmou ele.
O EIA-Rima diz que a probabilidade de novas doenças – principalmente respiratórias – é praticamente inexistente. A usina, que passará a gerar energia elétrica a partir da combustão de carvão mineral das minas da região, terá potência de 125 megawatts e consumirá 1,5 mil toneladas de carvão. Os investimentos estão calculados em R$ 190 mil e o início da operação está marcado para julho de 2002.
O relatório ainda traz a informação que inicialmente o carvão utilizado será de Figueira, que tem reserva para quatro anos. A previsão é que depois comece a ser usado o carvão de Sapopema. A capacidade para armazenamento vai ser de cerca de 45 mil toneladas, com altura de oito metros. Será adotado um sistema de drenagem de águas superficiais e águas de infiltração.
Os gases de saída serão conduzidos por uma chaminé de 75 metros, passando antes pelo precipitador eletrostático e lavador de gases. Ainda estão previstos dispositivos para o monitoramento contínuo de óxidos de enxofre e de nitrogênio; e sinalização luminosa para tráfego aéreo. A audiência pública sobre o EIA-Rima será no final de fevereiro.

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