Cambé - Quase dois anos após ser inaugurado, o terminal rodoviário urbano de Cambé (Região Metropolitana de Londrina) passará por uma grande intervenção para ampliação e modernização. O objetivo é resolver as contrariedades que o espaço vem gerando desde dezembro de 2017 por conta de sua estrutura, ou da falta dela. “O jeito que está é muito ruim. Molha tudo dentro quando chove, o sol fica praticamente o dia todo nas nossas costas”, apontou a costureira Edicéia Pereira.

Uma empresa com sede em Mandaguari (Noroeste) venceu o certame lançado pelo município para a obra. O valor máximo que o executivo pretendia gastar era R$ 659,3 mil. A construtora, que foi a única participante, sinalizou proposta de R$ 658,2 mil. A licitação já foi homologada e atualmente está na fase de expedição da ordem de serviço. O prazo máximo para finalização dos trabalhos é de sete meses, a partir da assinatura com a autorização.

Área do terminal que será ampliada é de 735 metros quadrados
Área do terminal que será ampliada é de 735 metros quadrados | Foto: Marcos Zanutto - Grupo Folha

O projeto prevê uma cobertura adicional à atual, que é estreita, além de pintura, guarda-corpo, paisagismo, instalação de floreira e letreiro e fechamento da parte de trás com vidro, totalizando ampliação de área de 735 metros quadrados. “Só não pode fechar tudo, porque não vai ter para onde a fumaça do ônibus sair”, opinou o soldador aposentado Getúlio Vitoriano Alves. “Esse dinheiro que estão gastando agora poderiam ter economizado se tivessem previsto mais qualidade quando fizeram o terminal”, acrescentou.

A diarista aposentada Neuza Rodrigues Cruz, que sempre utiliza o terminal para ir ao médico, perdeu as contas de quantas vezes chegou molhada à consulta. “Como é tudo aberto e a cobertura muito alta e pequena, qualquer chuva molha os passageiros. Quando acontece de ser chuva acompanhada de vento piora tudo. O jeito é ir molhada mesmo, pois não dá para perder o médico”, relatou, também reclamando da falta de mais ônibus no itinerário que passa pelo jardim Ana Rosa.

Por conta da dificuldade de ficar nos bancos dispostos pelo espaço em razão do calor, por estarem no sol, os populares puxaram os assentos para a sombra, quase perto do meio-fio em que os veículos do transporte coletivo param. “Aqui sofremos quando está calor, frio, com chuva, ventando. A nossa família usa este lugar, porque depende dele, por isso esta ampliação é mais que necessária”, destacou a zeladora Matilde Alves dos Santos Grella. “É uma demanda nossa de vários e vários meses. Quando o terminal mudou para este local pensamos que ia ser melhor, entretanto, trouxe dor de cabeça por conta dessa estrutura”, lamentou o tratorista aposentado Orlando Ferminio.

Usuários do terminal de Cambé, localizado na rua Belo Horizonte, região central, ainda reclamaram sobre a falta de mais lixeiras, da ausência de partes do piso tátil pela extensão do lugar de embarque e desembarque e de não ter papel no banheiro para secar as mãos.

PROVISÓRIO
O projeto com as melhorias foi doado pela concessionária que explora o sistema na cidade. De acordo com o secretário de Planejamento do município, Mário Vander Martins Roberto, não será possível manter o transporte coletivo onde está atualmente durante as intervenções. Com isso, o serviço irá retornar, provisoriamente, para o antigo endereço, em frente ao prédio da prefeitura.

“Estamos trabalhando na reordenação do serviço de transporte no local anterior, colocando alguns pontos, requerendo sinalização e informando os passageiros, até para se organizarem. Acreditamos que até a próxima semana isso já esteja resolvido e daremos a ordem de serviço. O empreiteiro está preparado para começar”, ressaltou. A empresa contratada para a execução da obra terá que fornecer todo o material, mão de obra, veículos, máquinas e equipamentos necessários.

Perspectiva de como ficará terminal de Cambé após obras
Perspectiva de como ficará terminal de Cambé após obras | Foto: Divulgação

A construção do terminal rodoviário urbano de Cambé custou cerca de R$ 800 mil e a previsão inicial de entrega era setembro de 2016. O atraso até encerrar a construção foi de 15 meses. “Houve proposta de uma obra e um tipo de atendimento, o que foi feito, porém, a proposta não atendeu as necessidades e agora estamos fazendo este complemento para suprir esta questão do desconforto”, afirmou Mário Roberto. Cerca de 90% do transporte na cidade é metropolitano e 10% urbano.

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