Ampliação do aterro recebe críticas
Célia Baroni
Mario CesarAterro polêmicoGeógrafa Márcia Carvalho: ‘Prefeitura encontrou um jeito de aumentar a vida útil do Lixão sem fazer estudo de impacto ambiental’A Associação dos Moradores da Água do Limoeiro (zona leste) não quer que a prefeitura amplie a área do Lixão, desapropriando parte da propridade vizinha. Com o apoio da Associação dos Geógrafos Brasileiros (Seção Londrina), os moradores acusam a prefeitura de estar protelando a solução do problema e agravando o impacto ambiental na região. ‘‘O que a prefeitura pretende fazer é contra a lei. Já cometeu o erro quando implantou o Lixão aqui e agora vai piorar a situação. A região é imprópria’’, afirma a arquiteta Márcia Audibert, moradora do bairro.
A comunidade, segundo Márcia Audibert, quer que a prefeitura cumpra o que determina lei municipal aprovada no final de 96. A lei determina a desativação do atual Lixão e a escolha de uma área mais adequada para se implantar um Aterro Sanitário com o mínimo de impacto ambiental possível. A lei dava um ano de prazo para o município encontrar a nova área, realizar o projeto, elaborar e aprovar o estudo de impacto ambiental. O prazo foi prorrogado por mais um ano, como permitia a lei, e termina no final de 1998.
A diretora regional da Associação dos Geógrafos Brasileiros, Márcia Siqueira de Carvalho, diz que a desapropriação de uma área vizinha do Lixão é ‘‘manobra’’ da prefeitura. ‘‘Eles encontraram um jeito de aumentar a vida útil do Lixão sem elaborar o estudo de impacto ambiental’’, comenta Márcia Carvalho.
Márcia afirma que a prefeitura vai acabar cometendo os mesmos erros e invadindo a área de fundo de vale. A geógrafa explica que a implantação do Lixão, na cabeceira do Ribeirão dos Periquitos, em 1977, forçou o deslocamento da nascente do rio para frente. ‘‘O impacto ambiental do Lixão é tão grande que, mesmo se o aterro fosse desativado hoje, o local precisaria de pelo menos 30 anos para se recuperar.’’
Para a géografa, o Lixão hoje representa sério problema para o abastecimento de água da Cidade, porque a lagoa de chorume e o Ribeirão dos Periquitos estão próximos. ‘‘Quando chove muito a lagoa transborda e acontecem vazamentos do chorume para o ribeirão.’’
A prefeitura garante: uma faixa de terra de 82 mil metros quadrados, ao lado do Lixão de Londrina, deve ser desapropriada logo. A próxima fase é a negociação de preço com o proprietário do terreno.
‘‘Não estamos pensando em ampliar o Lixão. Sabemos que o local é impróprio e continuamos procurando uma nova área. Mas não podemos deixar como estᒒ, diz o presidente da Autarquia do Meio Ambiente (AMA), Mauro Maggi. Ele afirma que o atual Lixão precisa ser readequado. Para isso, pretende utilizar um projeto realizado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).
De fato, a AMA não pretende realizar um estudo de impacto ambiental para criar a nova lagoa de chorume. ‘‘Não há necessidade porque não estamos criando uma nova fonte de poluição. Estamos solucionando o problema’’, diz Maggi.
Mauro Maggi já fala em protelar o prazo para mudança do Lixão - que está previsto em lei e vence no final do ano. ‘‘Até dezembro já teremos a área definida. Mas o processo de implantação do Aterro Sanitário é complexo. A área precisa ser aprovada, há as negociações para a desapropriação e o estudo de impacto ambiental é demorado e caro.’’

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