Ampliação do aeroporto preocupa vizinhos
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quarta-feira, 11 de maio de 2011
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
A Infraero anunciou na semana passada que investirá R$ 70 milhões até 2015 para ampliar e instalar novos equipamentos no Aeroporto Governador José Richa, na Zona Leste de Londrina. Essa ampliação do aeroporto traz preocupações para os moradores e comerciantes do entorno, pois para que as obras sejam realizadas a prefeitura terá de desapropriar cerca de 251 mil metros quadrados entre casas e terrenos de bairros como o Eldorado, Ok e Albatroz.
Segundo o diretor de Ciência e Tecnologia do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Marcus Von Borstel, o aeroporto inteiro terá 1.485.566m2 e a primeira etapa das desapropriações começará assim que a primeira parcela dos R$ 27 milhões que o governo estadual prometeu for liberada. ''O pedido já foi protocolado e em breve serão liberados R$ 9,7 milhões, suficientes para a desapropriação da face sul do aeroporto'', anuncia.
A professora Maria José Clivati Aleixo mora na Avenida Salgado Filho e conta que seu marido foi à prefeitura para descobrir se a casa deles será desapropriada. Ela relata que mora há 38 anos no mesmo local e a notícia de que terá de sair de lá a preocupa, principalmente porque não existe nenhuma informação sobre quanto a prefeitura poderá pagar. ''Este é o único imóvel que nós possuímos e uma notícia dessas nos deixa inseguros'', diz.
Oclarício Bomba, do Jardim OK, conta que mora na mesma casa há 36 anos e sempre ouve conversas sobre a possibilidade de desapropriação. ''Eu não quero sair, pois o bairro é muito bom e a localização é excelente'', conta. Ele diz que mudaria de opinião apenas se fosse para um bairro melhor, mas diz que mesmo assim seria triste pois teria de deixar vizinhos de muitos anos de convivência. ''A minha casa vale muito para mim, pois foi conquistada com muito sacrifício e muito suor. ''Se for pelo bem do progresso a gente entende, mas espero que a compensação financeira seja suficiente para comprar uma nova casa em um lugar tão bem localizado como este'', opina a mulher de Oclarício, Élia Bomba.
A vizinha Elvina Nicolini é aposentada e mora no local há 35 anos. Ela diz que será difícil se mudar de lá, porque a casa possui toda uma história relacionada à sua vida. ''Foi aqui que criei o meu filho e o fato de ficar tantos anos torna tudo muito difícil, mas eu acredito que não vá acontecer'', diz esperançosa.
Mayara Proença Juliani conta que o bar de seu pai, na Avenida Salgado Filho, provavelmente será muito afetado pelas desapropriações. ''Se essas desapropriações acontecerem existe o risco de queda do movimento'', analisa. Ela diz que está lá há quatro anos e que não está nada feliz com a ideia de mudanças na região. ''Vai atrapalhar os nossos negócios'', prevê.
O pintor Israel de Moraes Junior, pai de Giovana, quatro anos, não vê problemas na demolição da escola próxima ao aeroporto, desde que as obras sejam executadas rapidamente. ''O que não pode é demolir a escola e as obras não começarem logo, pois nesse meio tempo os alunos poderiam continuar lá'', analisa.
Von Borstel garante que os valores das desapropriações seguirão os praticados no mercado imobiliário. ''Ninguém sairá prejudicado, todos receberão os valores de acordo com a avaliação de uma equipe técnica'', afirma.


