Ampliação de hospitais gera outras questões
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terça-feira, 23 de novembro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Uma notícia que quem já precisou de um hospital público conhece bem sua importância: o Governo do Estado anunciou na última semana a decisão de ampliar o total de leitos para até 100 nos hospitais da Zona Norte (HZN) e Zona Sul (HZS) em Londrina. A discussão é ainda inicial mas a esperança é de que ocorra uma sensível redução nas filas e melhora no atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Mas se por um lado a ampliação é bem vinda por outro gera questões importantes a serem debatidas antes do início das obras, previstas para o ano que vem.
Inaugurado há quase 15 anos, o Zona Sul conta atualmente com 41 leitos, chegaria a 100 após a ampliação mas continuaria atendendo apenas os casos de média complexidade aqueles que não exigem internação em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Apenas o Hospital Universitário (HU) e a Santa Casa continuariam como terciários (de alta complexidade). Uma reforma tímida foi feita há alguns anos mas não diminuiu o problema das filas de espera.
O diretor-administrativo do HZS, Élzo Carreri, revelou que apenas em cirurgias eletivas infantis existem 200 crianças na lista de espera. Por mês, são mail de cinco mil atendimentos. ''Com a ampliação, vamos conseguir atender a demanda de toda a região sul, dos distritos, dos índios e de outras cidades que procuram o hospital'', destacou. Ele afirmou que o aumento no número de leitos vinha sendo discutido desde o começo do ano passado. Quanto à contratação de funcionários, Carreri observou que essa questão deverá ser discutida quando houver consenso sobre o melhor projeto. Hoje, o HZS conta com pouco mais de 200 funcionários, entre servidores do Estado e contratados pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), e precisaria dobrar esse número para atender adequadamente os pacientes.
Já o diretor-administrativo do HZN, Antônio José Santiago, foi mais contido em sua avaliação da notícia, mesmo porque não recebeu nenhum comunicado oficial do Governo sobre o assunto. Ele lembrou que o hospital, construído em 1987, passou por uma ampliação há 10 anos e já não supre a carência da população da região, que soma mais de 120 mil pessoas. Apenas pelo pronto-socorro do HZN passam de 200 a 300 pacientes por dia. ''Há muito tempo trabalhamos superlotados, mas na esteira dos leitos existem outras questões que precisam ser discutidas'', avaliou. Ele exemplificou que o hospital conta com 56 leitos e possui três salas de cirurgia. Com a duplicação do número de vagas, o centro cirúrgico ficaria sobrecarregado.
Com relação aos reflexos
A direção da Santa Casa comentou, através da assessoria, que como o atendimento à saúde é integrado a melhoria deve ajudar os demais. A assessoria de imprensa do HU informou que, por enquanto, nenhum diretor iria se pronunciar a respeito e que o diretor-superintendente Francisco Eugênio Souza, estaria viajando e só retornaria na quinta-feira.


