O secretário Municipal de Saúde, Gilberto Martin, afirmou que o aumento de número de leitos pela Santa Casa influenciará radicalmente nas dificuldades no sistema decorrentes da carência de leitos. "Isso irá impactar na fila de espera e na resolutividade do serviço. Esses 200 novos leitos equivalem a um hospital novo", analisou. Com a conclusão da obra no hospital (prevista para durar 12 meses), a expectativa é que o número de leitos passe de 191 para 391.
"Eu acho que a obra e a ampliação da oferta de leitos fundamentais e necessárias, mas na sequência vamos precisar de um aumento de recursos do teto financeiro repassado para o município, que hoje não tem sido suficiente para cobrir a demanda", apontou Martin. Ele observou que o acréscimo dos leitos aumentará esse deficit ainda mais se não houver esse repasse. "Se a gente conseguir pelo menos reaver o que a gente gasta hoje já seria uma grande correção para o teto financeiro. O que vai ser suprido praticamente será a fila de espera, porque elas existem hoje pela falta espaço físico e pela falta de leitos. Com os leitos novos, se tivermos mais recursos, haverá um impacto na fila de espera, principalmente na dos procedimentos eletivos."
Sobre a diferença entre os gastos e o repasse, o secretário apontou que em 2010 o município, através do Fundo Municipal de Saúde, contratou o correspondente R$ 15,3 milhões de compromissos financeiros relativos aos atendimentos das internações, procedimentos ambulatoriais e procedimentos de média complexidade. "Mas o governo federal repassa o equivalente a R$ 14 milhões. Entre o contratado e o repassado há um deficit R$ 1,3 milhão. Como o governo federal não tem feito esses repasses, ele fica devendo aos hospitais e isso vem sendo bancado pelo Município", destacou.
Martin acrescenta que a prefeitura criou um incentivo municipal para quem trabalha em plantões nos hospitais, no valor de R$ 980 mil, bancados com recursos do tesouro municipal. "Somando esses dois valores, estamos pagando R$ 2,3 milhões por mês. Há também os valores extra teto relacionados às Autorizações de Internamento Hospitalar (AIHs), que os hospitais apresentam por estarem produzindo e não estão recebendo, cujo valor gira em torno de R$ 900 mil", apontou.
Para o gerente do Samu de Londrina, Felipe Guanaes, a ampliação da Santa Casa será benéfica. "Existem pacientes de menor complexidade e maior complexidade. Os de maior complexidade deveriam ter leitos reservados, pois muitos ficam aguardando o atendimento nas enfermarias. Eu já trabalhei na Santa Casa e sempre tinha problema de superlotação do pronto-socorro", apontou. Segundo ele, após passar por avaliação o paciente deve ser encaminhado para a enfermaria ou receber alta, mas geralmente fica internado no PS e isso atrapalha a equipe que trabalha lá.
"A central de regulação de leitos trabalha em média com 20 a 50 pacientes na lista de espera, como aqueles pacientes que precisam de UTI e que precisam de procedimentos especializados, de maior complexidade", apontou.

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