A Associação dos Municípios do Paraná (AMP) negou ontem que tenha suspendido o adiamento das aulas municipais, programadas na maioria das escolas para começarem no dia 12. O presidente da AMP, Sebastião Sérgio Septjuk, disse que o governo estadual agiu de má-fé ao anunciar o fim do movimento. Ele acrescentou que as aulas estão suspensas na maioria dos municípios do Paraná. Algumas escolas municipais já estão em aulas desde o dia 5 e outras não vão aderir à proposta da AMP.
Septjuk classificou a nota repassada quinta-feira pelo Palácio Iguaçu como ‘‘mentirosa’’. No entanto, o secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, disse ter uma fita, na qual o presidente da AMP afirmaria que o movimento está encerrado. Porém, o Palácio não quis repassar cópia dessa gravação à Folha, preferindo enviar transcrição do material.
No bate-boca entre o governo e a AMP, Sebastião Septjuk acusou Alceni Guerra de distorcer uma gravação deixada na secretária eletrônica do gabinete do secretário, na quinta-feira. Na transcrição repassada pelo Palácio Iguaçu, o ex-prefeito de Genaral Carneiro disse que haveria uma reunião no gabinete do chefe da Casa Civil, na próxima segunda-feira, às 10 horas. Ainda, no mesmo texto, o prefeito teria afirmado: ‘‘... você anuncia aí para a imprensa, na segunda-feira, a reunião com os prefeitos, que o recurso será liberado. Com isso, a paralisação do movimento está suspensa e a as aulas prosseguem normalmente.’’
Mas o presidente da AMP disse que estava combinando a data do encontro. ‘‘Não tenho autonomia para interromper a suspensão das aulas. Foi criado um conselho que vai definir isso’’, justificou, acrescentando que os prefeitos estarão na segunda-feira reunidos com Alceni Guerra. O encontro não foi desmarcado pelo Palácio.
Alceni Guerra disse que não vai discutir as argumentações de Sebastião Septjuk. ‘‘O assunto está encerrado e vamos apenas atender as reivindicações dos prefeitos, para não prejudicar os alunos’’, disse.
Na avaliação de Septjuk, o governo está querendo confundir os prefeitos ao divulgar notícias falsas. ‘‘O movimento continua, porque nem as promessas do Estado são suficientes para aliviar o problema do salário-educação e do transporte escolar’’, reclamou o presidente da AMP. A associação calcula que o governo deve aos 399 municípios, referente ao ano passado, R$ 95,4 milhões em salário-educação e outros R$ 75 milhões referentes a 1999.
Septjuk estima a adesão do movimento. Ontem, 32 prefeitos do Oeste resolveram suspender as aulas.

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