Amor se transforma em desprezo
A falta do pai em dias festivos como o Dia dos Pais, aniversários e Natal aperta o coração da estudante Emily Thalita Yamakawa, 14 anos. Há sete ela não vê o pai Roberto Fumio Yamakawa e só fala com ele por telefone, raramente. Escrever uma carta para o pai contando sobre suas descobertas, suas amizades ou seus ideiais bem que Thalita gostaria. Mas não pode. Ela, o irmão William Tadashi Yamakawa e a mãe Cristina Barreto não têm acesso ao endereço de Roberto.
Thalita vai completar 15 anos no mês que vem. Ela diz que sente muita vontade de estar perto do pai. ‘‘Queria que ele estivesse aqui no meu aniversário, mas sei que ele não virá porque toda vez ele fala que vai vir e nunca vem’’, lamenta.
William Tadashi, hoje com 17 anos, diz que não liga mais para o pai. ‘‘Antes eu queria que ele viesse. Sentia falta dele, mas agora não estou nem a풒, afirma. Há um ano, William deixou os estudos para ajudar a mãe. Ele trabalha como auxiliar geral em uma empresa de embalar azeitonas e ganha R$ 230,00 por mês. ‘‘Uma parte do salário dou para minha mãe.’’
Cristina e Roberto estavam casados há 10 anos quando ele decidiu ir para o Japão. ‘‘A gente fazia planos de um futuro mais tranquilo’’, conta Cristina. A tranquilidade foi tudo que ela não teve a partir da viagem de Roberto. Nos planos do casal, Cristina e os filhos partiriam para o Japão um ano depois que Roberto estivesse lá.
‘‘Chegamos a providenciar os nossos (dela e dos filhos) passaportes, mas Roberto sempre ligava dizendo para a gente esperar mais um pouco’’. Dois anos depois Roberto voltou, mas, segundo Cristina, o relacionamento já não era o mesmo. ‘‘A gente já não se entendia.’’
Depois de alguns meses em Maringá, Roberto retornou ao Japão pela segunda vez, onde ficou mais três anos. De volta à Maringá, Roberto e Cristina definitivamente não se entendiam e o caminho escolhido pelo casal foi o divórcio.
‘‘Durante as nossas brigas ele perguntava do apartamento que a gente tinha comprado com o dinheiro que ele mandava’’, relata Cristina. Segundo ela, o casal havia comprado o direito de um apartamento. ‘‘Tive que vendê-lo porque ele já não mandava mais dinheiro para pagar as prestações e eu tive que me virar sozinha’’, justifica. (L.P.)

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