Amor que acolhe
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terça-feira, 25 de outubro de 2016
Simoni Saris Reportagem Local 
O Censo 2015 do IBGE aponta que no Brasil há 34.162 crianças, adolescentes e jovens vivendo em abrigos. São meninos e meninas retirados do convívio familiar por diversos fatores, como a pobreza, o abandono, a violência doméstica, a dependência química dos pais ou responsáveis e a situação de rua. Apenas uma minoria deles vai para os abrigos por ser órfã. No Paraná, são 3.237 abrigados, segundo o estudo do IBGE, mas existe no Estado um movimento na direção de erradicar os abrigos e propiciar que crianças e adolescentes destituídos do poder familiar ou em processo de destituição tenham a experiência do convívio familiar.
Essa mobilização é liderada pela Vara da Infância e Juventude da comarca de Cascavel (Oeste), onde há dez anos funciona o Programa Família Acolhedora, desenvolvido pelo governo federal. O município tornou-se referência não só para o restante do País, mas para toda a América Latina. O programa conseguiu acabar com os abrigos. Das quatro instituições que funcionavam na região, duas foram fechadas, uma foi transformada em escola e outra em casa lar, que serve apenas como porta de entrada para o acolhimento familiar. Na área de abrangência daquela comarca funcionam hoje três casas lares e duas casas de passagem para adolescentes.
Na comarca de Cascavel, cerca de 170 famílias acolhem 253 crianças, adolescentes e jovens. O programa é conduzido pelo juiz da Vara da Infância e Juventude, Sérgio Luiz Kreuz, que só vê vantagens na substituição dos abrigos pelo acolhimento familiar. "Só em Cascavel, são 109 adolescentes e jovens de 12 a 21 anos que estão com as famílias acolhedoras. Se eu tivesse só acolhimento institucional, quantos será que eu teria? Quinze, 20? Os outros estariam lotando os Censes e as cadeias. Esses jovens das famílias acolhedoras estão felizes, estudando, se profissionalizando."
O acolhimento, salienta o juiz, permite às crianças e aos adolescentes viverem em um ambiente familiar que além de respeitar a individualidade do acolhido possibilita que ele participe da rotina familiar. "A criança vai ter seu quarto, suas coisas, no domingo ela vai ao culto ou à missa, vai ao aniversário dos amigos, participa das festas de Natal e Réveillon, vai para a praia." (Leia mais na edição de quarta-feira)


