Se pudesse se personificar, o que Londrina diria hoje a seus pioneiros a respeito de si mesma? Tal pergunta só poderia passar pela cabeça de um apaixonado pela cidade, como Waldionor Val, 69 anos. Nascido em Araçatuba (SP), de onde saiu com um ano de idade, o advogado aposentado é exemplo dessas pessoas para as quais Londrina não é apenas um local para viver, mas sim a própria vida.
A indagação colocada acima é respondida no poema ''Meu Pioneiro'', do homem que não se diz poeta. Às vésperas do aniversário de 70 anos de Londrina, Val faz de suas seis estrofes uma declaração de amor de quem cresceu junto com o município. Na obra, versa sobre a ambiguidade da Londrina que é, ao mesmo tempo, mãe e filha de seus pioneiros: ''Com teu esforço e muito amor,/com alegria, também com dor,/fizeste-me linda e aconchegante,/sempre bem-vindos, os visitantes'' (...) ''e ao partires, muito orgulhosa,/te acolherei dentro do meu ventre,/te cuidarei qual mãe zelosa,/por todo o dia, por todo o sempre''.
A visão romântica do desenvolvimento de Londrina pelas mãos dos pioneiros vem da história da própria família do advogado, especialmente seu pai, Luiz Val. ''Ele era um dos caras mais conhecidos da cidade (nas primeiras décadas londrinenses), você falava em 'Luizão, o Garimpeiro' e todo mundo sabia quem era'', conta. Como garimpeiro, o ''ítalo-carioca'' Val percorreu várias regiões do Brasil até chegar ao Rio Tibagi, em Jataizinho. Foi lá que ouviu as boas impressões sobre Londrina e decidiu conhecê-la, apaixonando-se ao ponto de abandonar o garimpo por vários anos.
''Meu pai teve uma vida feliz, cheia de aventuras e de perigos com seus escafandros, batelas e peneiras. Com o garimpo, conseguiu formar um patrimônio razoável. Mas aqui em Londrina o que mais fez foi construir casas. As pessoas trabalhavam com grande alegria naquela época'', ressalta o filho.
Da mãe, dona Luiza, a lembrança mais marcante de Val são as constantes trocas de receitas com as vizinhas da Rua Acre, também de famílias pioneiras, como os Brugin, os Sahão e os Victorelli. ''As amizades aconteciam num raio de oito quarteirões. Hoje, vizinho é só o que está do nosso lado'', compara.

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